Castanha-do-brasil – alguns aspectos silviculturais

 

A castanha-do-brasil (Bertholletia excelsa H.B.K.), também denominada castanha-do-pará, ocorre nos Estados brasileiros do Acre, Amazonas, Pará, Roraima, e Rondônia, bem como em boa parte do Maranhão, Tocantins e do Mato Grosso. Sua madeira é de ótima qualidade para construção civil e naval, bem como para esteios e obras externas (Loureiro et al., 1979).

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É uma espécie encontrada principalmente em solos pobres, bem estruturados e drenados, argilosos ou argilo-arenosos, sendo que sua maior ocorrência é nos de textura média a pesada. Não é encontrada em áreas com drenagem deficiente nem em solos excessivamente compactados, dando-se bem em terras firmes e altas. Vegeta naturalmente em clima quente e úmido. Ocorre em áreas onde a precipitação média varia de 1400 a 2800 mm/ano, e onde existe um déficit de balanço de água por 2-5 meses. (Clement, 2002).

Seu fruto é um pixídio lenhoso, globoso, com tamanho variável. Recebe o nome de “ouriço”. As sementes ou “castanhas” são de forma angulosa, com tegumento córneo tendo no seu interior a amêndoa, de grande utilidade e alto valor econômico. Seu valor biológico é grande para fins alimentícios, pois a amêndoa desidratada possui em torno de 17% de proteína – cerca de cinco vezes o conteúdo protéico do leite bovino in natura. Fator importante, também, é que a proteína da castanha possui os aminoácidos essenciais ao ser humano. O teor de gordura da amêndoa desidratada é extremamente alto, em torno de 67%. (Nascimento, 1984).

Apresenta várias aplicações: a) “ouriços” como combustível ou na confecção de objetos, mas o maior valor é a amêndoa, alimento rico em proteínas, lipídios e vitaminas podendo ser consumida ou usada para extração de óleo; b) do resíduo da extração do óleo obtém-se torta ou farelo usada como misturas em farinhas ou rações; c) “leite” de castanha, é de grande valor na culinária regional; c) madeira com boas propriedades. Mas, tendo em vista ser uma árvore protegida por lei seu fruto tem elevado valor econômico como produto extrativo florestal.

1 Pesquisador da Embrapa Rondônia – Porto Velho- Rondônia– shockloca@enter-net.com.br

2 Professor do Curso de Geografia- Universidade Federal de Rondônia – Porto Velho- Rondônia

3 Pesquisador CNPq/CEPLAC-SUPOC- Porto Velho- Rondônia

4 Bolsista CNPq/PBIC- Embrapa Rondônia – Porto Velho – Rondônia

Os principais consumidores de castanha-do-brasil estão nos Estados Unidos e Europa-Reino Unido, Alemanha e Itália, principalmente. O mercado doméstico é um percentual muito pequeno do mercado consumidor total influenciado pelos preços internacionais e níveis de renda local.

No que se refere à produção de frutos, a castanha-do-brasil tem importância social muito grande na região amazônica, já que a quase totalidade da produção é exportada, principalmente para Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra. (Villachia, 1996).

A castanha-do-brasil é excelente opção para o reflorestamento de áreas degradadas de pastagens ou de cultivos anuais, ao lado de outras espécies florestais. Hoje em dia, a exploração de exemplares nativos é proibida pelo Decreto n° 1282, de 19/10/1994 que não impede seu plantio com a finalidade de reflorestamento (plantios puros e sistemas consorciados).

Dados de plantios de castanha-do-brasil em diferentes espaçamentos e com diferentes idades (35 a 156 e 480 meses) no estado de Rondônia (Locatelli et. al., 2002), tem demonstrado que:

  • A castanheira é uma espécie com potencial silvicultural para reflorestamento com fins madeireiros.
  • Para a castanheira aos 220 meses de idade o diâmetro estimado é de 44,31 cm, apto para a produção de madeira, com tendência a estabilizar depois dos 390 meses de idade. Após este período o incremento é de apenas 0,64 cm em 7,5 anos.
  • O incremento estimado em altura total da castanheira aos 220 meses de idade é de 25,72m com tendência a estabilização após esta idade, pois em 140 meses a altura total tem um incremento de apenas 0,14m.
  • Quando observamos dados de plantio em consórcio, verificamos que a sobrevivência é menor. O DAP não é influenciado por este tipo de plantio. No que diz respeito à altura observou-se que é favorecida pelo plantio consorciado. No plantio em consórcio, as plantas apresentam fuste com boas características comerciais.

Nos povoamentos florestais de castanha estudados, a altura total e o diâmetro (DAP) máximos encontrados foram de 29,79 m e 57,50 cm respectivamente. Na idade de 40 anos estes resultados diferem dos obtidos por Yared et. al. (1992) em medição efetuada em Manaus, AM, que verificaram 23,9 m de altura total e 69,1 cm de DAP.

A análise química do solo de plantio de castanha-do-brasil (argissolo vermelho amarelo distrófico plíntico, textura argilosa) em Porto Velho, Rondônia demonstra que a castanha-do-brasil apresenta bom desenvolvimento em altura e diâmetro quando em solos com pH ácido, baixos valores de saturação de bases, solo distrófico, baixa capacidade de troca de cátions e altíssimos valores de saturação de alumínio (Locatelli et. al., 2003).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CLEMENT, C.R. Brazil nut. Disponível em http://www.fao.org/docrep/v0784e/v0784e0k.htm. Acesso em 30 maio 2002.

LOCATELLI, Marilia; MARTINS, Eugênio Pacelli; VIEIRA, Abadio Hermes; PEQUENO, Petrus Luiz de Luna; SILVA FILHO, Eliomar Pereira da; RAMALHO, André Rostand.Plantio de castanha-do-Brasil: uma opção para reflorestamento em Rondônia. Porto Velho: EMBRAPA:CPAF-Rondônia, 2002. (Recomendações Técnicas,60).

LOCATELLI, Marilia; SILVA FILHO, Eliomar Pereira da; VIEIRA, Abadio Hermes; MARTINS, Eugênio Pacelli; PEQUENO, Petrus Luiz de Luna. Características de solo sob cultivo de castanheira (Bertholletia excelsa H.B.K.) em Porto Velho, Rondônia, Brasil. Primeira Versão, Porto Velho, n. 168, p. 1-8, 2003.

LOUREIRO, Arthur A.; SILVA, Marlene F.; ALENCAR, Jurandyr da Cruz. Essências madeireiras da Amazônia. Manaus: INPA, 1979. v. 1.

NASCIMENTO, C.N.B. do.Amazônia: meio ambiente e tecnologia agrícola. Belém, EMBRAPA-CPATU, 1984. 282p. (EMBRAPA-CPATU, Documentos, 27).

VILLACHIA, HUGO. Frutales y hortalizas promisorios de la Amazônia.

Lima: Tratado de Cooperacion Amazônica, 1996.p. 85-95.

YARED, J. A. G.; KANASHIRO, M., VIANA, L. M.; CASTRO, T. C. A. de; PANTOJA, J. R. de S. Comportamento silvicultural da castanheira (Bertholletia excelsa H. & K.), em diversos locais da Amazônia. In: CONGRESSO FLORESTAL PANAMERICANO = PANAMERICAN FORESTRY CONGRESS, 1.; CONGRESSO FLORESTAL BRASILEIRO = BRAZILIAN FORESTRY CONGRESS, 7., 1993, Curitiba. Anais… Curitiba: SBS, 1993. v. 2. Trabalhos voluntários e posters. Acima do título: Floresta para o desenvolvimento: política, ambiente, tecnologia e mercado.

 

Marília Locatelli 1
Abadio Hermes Vieira 1
Eliomar Pereira da Silva Filho 2
Petrus Luiz de Luna Pequeno 3
Rafael de Souza Macedo 4