Ambiente Fauna

Projeto Puma

Este projeto de pesquisa teve origem na identificação da necessidade de incorporar o planejamento rural para conservação das onças, na maioria das regiões do Brasil.

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Este projeto de pesquisa teve origem na identificação da necessidade de incorporar o planejamento rural para conservação das onças, na maioria das regiões do Brasil. Esta necessidade advém do fato de que as Unidades de Conservação de muitas regiões do país são insuficientemente grandes para manter populações de onça a longo e médio prazo, e a maior parte das populações destes animais, excetuando-se talvez algumas áreas da Amazônia, encontra-se em áreas particulares.

Foi realizado um mapeamento prévio das onças-parda em Santa Catarina, publicado na Revista Brasileira de Zoologia (1993), e pude verificar áreas de ocorrência e áreas onde a onça deixou de ocorrer. Aprofundaremos as pesquisas sobre a qualidade dos ambientes para as onças, procurando determinar quais são as condições mínimas para permanência das populações em áreas rurais, analisando o impacto de diferentes fatores (cobertura vegetal, diversidade de espécies-presa, parcelamento da terra, e diferentes modelos de desenvolvimento rural) sobre a presença-ausência e abundância relativa de onças-parda. Tem a finalidade fornecer subsídios para políticas de desenvolvimento rural que levem em consideração a sobrevivência da onça, e da comunidade de mamíferos da qual depende.

Nesta abordagem há três inovações: A primeira consiste no fato de que alguns dos parâmetros indicadores já existem, de fontes como o IBGE (parcelamento da terra, densidade populacional), e de imagens de satélite (cobertura vegetal), agilizando imensamente o processo de análise. Segundo, é preciso reconhecer que a conservação da onça é importante para a conservação de toda a diversidade das comunidades silvestres, pois o desaparecimento de onças de uma determinada região é resultado de um empobrecimento prévio da diversidade de mamíferos das quais se alimenta, da própria produtividade primária, e da redução de áreas de abrigo com cobertura florestal adequada. Terceiro, com a utilização destes indicadores, pode-se pela primeira vez implementar modelos quantitativos (mensuráveis) de desenvolvimento rural regional cujo planejamento envolva a preocupação em manter as comunidades silvestres na sua forma mais próxima do original. Ou seja, incluir no planejamento a necessidade da manutenção da integridade das comunidades silvestres, e fazê-lo através de análses numéricas.

Para ilustrar este último ítem, atualmente a lei contempla a necessidade de proteger as espécies ameaçadas, mas não se sabe os limites de antropização além dos quais estas espécies desaparecem. Talvez a única proteção legal quantitativa em áreas rurais que existe é o da cobertura florestal, estipulada em diferentes porcentagens para diferentes regiões do Brasil. Não existe nem pode existir uma legislação que diga que cada município deva ter um número mínimo de onças, porque é antiprodutivo obter estes números diretamente. No entanto é preciso haver indicadores numéricos de perigo, para que ações de proteção sejam tomadas antes que a extinção seja irreversível. Por isto a necessidade de se conhecer as exigências ambientais das onças, na forma de indicadores que possam ser facilmente obtidos e utilizados. Com isto seria possível produzir mapas de probabilidade de extinção baseadas em curvas de crescimento populacional humano, desmatamento, e parcelamento da terra. Com estes mapas seria então possível passar para o próximo passo, a ação de conservação.

Como exemplo de sua praticidade, e do tipo de resultados que se pode esperar desta pesquisa, podemos pensar um exemplo hipotético. Suponha que as pesquisas indiquem que as onças despareceriam se o parcelamento das propriedades rurais fosse inferior a 100 ha. Isto não foi comprovado, por isto é uma hipótese, mas há um fundo de bom senso, já que as comunidades de mamíferos de grande porte como as onças, e algumas de suas espécies-presa, necessitam de grandes áreas para sobreviver. Se for o caso de haver interesse em preservar estas comunidades de mamíferos, em uma área importante para a conservação regional da espécie, mas impossível de ser transformada em Unidade de Conservação (por ser uma zona importante de produção comercial), então pode-se pensar em transformar esta informação de parcelamento em lei municipal, limitando o parcelamento ou partilha da terra em lotes menores do que 100 ha. A mesma quantificação e aplicação legal pode-se estipular para cobertura florestal e tipo de utilização da terra.

Talvez o único indicador que precisaria ser obtido especialmente para o propósito de determinar qualidade ambiental para a onça, e mesmo assim somente se a relação entre densidade de onças e o conjunto dos outros indicadores mostrar-se fraca, seria o de diversidade de espécies-presa. Mas mesmo assim, é muito mais fácil reunir informações quantitativas estatisticamente tratáveis sobre todo o conjunto de indicadores expostos acima do que sobre a densidade de populações de onças.

 

Trabalho publicado:

1) OCORRÊNCIA DE  PUMA CONCOLOR  (LINNAEUS) (FELIDAE, CARNIVORA) EM ÁREAS DE VEGETAÇÃO REMANESCENTE DE SANTA CATARINA, BRASIL. Revista Brasileira de Zoologia 10 (4): 581-587, 1993. Marcelo Mazolli.

 

Marcelo Mazolli 

marcelo_puma@yahoo.com

Biólogo - atua na ONG Projeto Puma (PROPUMA) e atualmente está cursando o doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

 

Esta pesquisa é financiada pela WWF e Fundação Ford, com bolsa do CNPQ.

Para saber mais visite o site:

http://uniplac.net/~puma

 

OCORRÊNCIA DE PUMA CONCOLOR (LINNAEUS) (FELIDAE, CARNIVORA) EM ÁREAS DE VEGETAÇÃO REMANESCENTE DE SANTA CATARINA, BRASIL. Revista Brasileira de Zoologia 10 (4): 581-587, 1993. Marcelo Mazolli.



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