Temos que criar o efeito geladeira!

 

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL, nada mais é do que a comercialização de “diplomas de honra ao mérito”, outorgando às sujas indústrias e imundas termoelétricas a continuarem a emporcalhar o mundo, e pior, diplomas literalmente vendidos e comprados a preços de casca de banana. Não tem cabimento moral, nem técnico.

Não devemos vender o carbono seqüestrado nos vegetais em forma de títulos de valores irrisórios. Devemos vender o carbono vegetal em forma de carbono mesmo, a 500 dólares a tonelada, para realmente substituir o carbono fóssil, incentivando assim, com mais garantias na recuperação da natureza o replantio orgânico sustentável e definitivo.

Até quando iremos enterrar o mundo em negociatas? Estamos assistindo ao nosso suicídio. Esses mecanismos financeiro-ambientais são sinônimos de auto-enforcamento.

Como não podemos reduzir de imediato as emissões, sem reduzir proporcionalmente a atividade econômica, devemos incentivar a fotossíntese, que seqüestra carbono do ar, de graça, em qualquer vegetal que cresce. Nunca o Homem vai inventar uma máquina tão perfeita como uma simples folha de eucalipto, que transforma o nosso maior problema atual, o CO2 atmosférico, em carbono concentrado, em nobre e desprezada madeira.

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Devemos valorizar e usar o maravilhoso carbono vegetal. Devemos vender e transformar o carbono dos vegetais, em forma de álcool, biogás, óleo vegetal, carvão vegetal, madeira, resíduos, flores, tecidos, comida, etc; em substituição real ao carbono fóssil. Não adianta negociar carbono virtual. Isso é uma negociata criminosa que só aumenta as emissões e destrói a vida na Biosfera.

Temos que substituir o carbono real. Temos que substituir o carbono fóssil pelo carbono vegetal; só assim poderemos reduzir a enorme quantidade de CO2 acumulada na atmosfera. Só assim iremos seqüestrar mais carbono do ar, do que o carbono devolvido ao ar. Sempre.

Temos que sair da Era Fóssil dos últimos 100 anos; parar de retirar os fósseis da Terra. Temos que parar de usar carvão mineral, petróleo e gás natural. Tudo isso é fóssil. Estamos somente aumentando a alucinante concentração de CO2 na atmosfera. Devemos ter em mente que o carbono seqüestrado por uma tábua de pinus ou por uma folha de papel, pode levar séculos até retornar novamente para a atmosfera.

Através do MDL – e coisas do tipo -, estamos tirando os assassinos estupradores dos presídios e, ainda, lhes vendendo a preços ridículos boletins de boa conduta. Quando iremos entender que não adianta continuar a desenterrar carbono fóssil?

Besteira? Besteira é continuar com o Efeito Estufa, sendo que temos as soluções na mão, a exemplo do espetacular e fantástico Proálcool. Muito melhor do que o transitório Biodiesel é o puro e definitivo óleo vegetal, a ser usado como combustível em motores adaptados.

Temos que criar o “Efeito Geladeira” através das bioenergias, a “neve tropical”. Temos que enxergar o real seqüestro do carbono atmosférico no uso intensivo dos vegetais, das biomassas. Temos que enxergar 90% de puro carbono desidratado num lindo girassol, num pé de alface, num pedaço de papel higiênico, numa porta de madeira, e temos que ficar cientes de que este carbono veio da atmosfera através da espetacular e graciosa fotossíntese. Viva a Biobrás! Viva a ANB – Agência Nacional das Bioenergias!

 

Thomas Renatus Fendel – Engenheiro mecânico e empresário