Desenvolvimento Sustentável na Amazônia Legal

 

A Amazônia propriamente dita estende-se por oito países do norte da América do Sul. Cerca de 60% da Floresta Amazônica encontra-se no Brasil. O conceito de Amazônia Brasileira, que compreende uma área de 3,7 milhões de Km2 ocupada pela Floresta Tropical Úmida Densa e Não Densa, é substituído no Brasil por Amazônia Legal, que é um conceito essencialmente político, e que aumenta 1,3 milhões de Km 2 a área da Amazônia Brasileira, englobando nela uma longa faixa de vegetação de transição, com cerca de 700 mil Km 2 , como os cerrados no sul da região e os campos no norte, em Roraima, Pará e Amapá.

A chamada Amazônia Legal brasileira abrange os Estados do Amazonas, Amapá, Acre, Mato Grosso, oeste do Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, com uma superfície de aproximadamente 5 milhões de Km2 , ou seja, 60% do território nacional. Ela abriga metade das espécies conhecidas de plantas tropicais, uma variedade de peixes maior que a do Oceano Atlântico e a maior bacia hidrográfica do mundo, com aproximadamente 80 mil quilômetros de rios navegáveis.

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O ecossistema amazônico constitui um grande reservatório da biodiversidade do planeta, com grandes potenciais ainda inexplorados, além de abrigar imensas quantidades de minérios, terras agricultáveis e outros tantos recursos. Resta ao país, com a ajuda da comunidade internacional (pois vivemos num mundo globalizado, e só agora é que os governos se dão conta disso), explorar racionalmente os recursos disponíveis. Essa é a proposta de desenvolvimento sustentável.

Há um forte consenso em torno da necessidade de explorar de forma sustentável a Floresta Amazônica. Ela é tida por todos como um dos grandes recursos da região e o principal vetor na definição da sua vocação econômica.

Contudo, a Amazônia é mais do que a sua floresta, comportando vocações múltiplas, não devendo priorizar uma única estratégia de desenvolvimento. Os recursos minerais e o enorme potencial de energia renovável, representado pelos recursos hídricos abundantes na região, a idéia de que a agricultura e a pecuária são necessárias e possíveis na região, sobretudo em áreas desmatadas são opções das vocações.

Os movimentos sociais e os ambientalistas enfatizam a importância da economia baseada na exploração sustentável da floresta e a necessidade de reforçar práticas de “agricultura sustentável”, baseada sobretudo na pequena produção e voltada para o mercado interno.

 

Exemplos de produtos explorados na Amazônia:

Castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa H&B): os castanhais formam uma base produtiva que gera novas oportunidades econômicas sustentáveis. Em função dos incentivos que vem recebendo do governo, o extrativismo tem ampliado suas fronteiras. A produção de castanha e seus derivados como óleo de castanha, bombons, biscoitos, produtos de higiene e beleza, vem aumentando significativamente nos últimos anos.

Açaí (Euterpe oleracea Mart.): a extração de frutos da palmeira do açaí para produção de polpa é uma atividade de grande importância econômica. Está intimamente ligada à cultura e à dieta das populações da Amazônia. Seus produtos e subprodutos são utilizados há várias gerações como fonte de alimento e de renda. Da palmeira do açaí pode-se aproveitar praticamente todas as partes: o palmito é alimento nobre, o “tronco” pode ser usado na fabricação de papel e como isolante elétrico, do fruto pode-se obter a polpa e o adubo, além de ser fonte de álcool e servir como antidiarréico.

Pesca: é uma atividade econômica importante para a região. O setor gera uma grande renda proveniente da venda nacional e internacional de camarões e peixes.

Madeiras: a utilização direta da floresta também gera renda a muitas famílias da região. Há investimentos em projetos de utilização sustentável dos recursos madeireiros da região, mediante a criação de Florestas Estaduais de Produção.

Agricultura e Pecuária Sustentáveis: a introdução de espécies perenes nos cultivos anuais, os chamados Sistemas Agroflorestais (SAFs), associam extrativismo, domesticação de espécies nativas e agricultura propriamente dita num mesmo espaço físico. Possibilita a plantação, os cuidados e a colheita durante o ano todo.

O ecossistema amazônico é sem dúvida muito importante para o planeta, do ponto de vista ecológico. Mas sua importância econômica para o país não nos permite deixá-lo simplesmente intocado. Portanto, é imprescindível que se façam investimentos na Amazônia, não só para explora-la, mas para que se conheça o funcionamento deste complexo ecossistema, de forma que possamos extrair suas riquezas sem comprometer nossa qualidade de vida. É uma tarefa complicada, mas que se a relegarmos para um segundo plano, os benefícios obtidos podem não compensar as conseqüências negativas da má exploração.

 

Ambiente Brasil