Ambiente Resíduos

O Caminho da Reciclagem

O País está repleto de exemplos onde tanto o poder público quanto a iniciativa privada demonstram que coleta seletiva e reciclarem são alternativas viáveis que resultam em ganhos sociais, econômicos e ambientais.

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O País está repleto de exemplos onde tanto o poder público quanto a iniciativa privada demonstram que coleta seletiva e reciclarem são alternativas viáveis que resultam em ganhos sociais, econômicos e ambientais.

Exemplos:

Uma Parceria para Incentivar a Reciclagem, Jundiaí-SP

Coletar pelo menos duas mil toneladas de material reciclado por mês e ainda transformar o espaço Armazém da Natureza em um modelo nacional de programa voltado para a reciclagem do lixo. Esta é a proposta da Prefeitura de Jundiaí e da empresa 14 de Dezembro que, firmaram uma parceria para reforçar a coleta de material reciclável daquele município do interior paulista.

Ainda longe da meta, atualmente o Armazém da Natureza, localizado no Distrito Industrial II, recebe cerca de 600 toneladas por mês de material reciclável. Desse total, 10% correspondem a embalagens longa vida; 7% são garrafas PET; 17% correspondem a papelão; 0,5% são latinhas de alumínio e 1% papéis mistos.

Por enquanto o projeto ainda é totalmente mantido pela Prefeitura Municipal, essa parceria prevê, num prazo de 4 anos, uma redução gradual da destinação de recursos financeiros públicos, até que o Armazém consiga atingir seus objetivos com autosuficiência.

Faz parte do projeto, atingir duas mil toneladas por mês, a implantação da coleta seletiva duas vezes por semana. Além disso, a meta de ampliar os postos de entrega voluntária, chamados de Borboletões, hoje instalados em cinqüenta pontos da cidade.

Como primeiras medidas para a transformação do espaço, a 14 de Dezembro iniciou a construção de uma balança com capacidade para mil toneladas, a implantação de uma esteira para a seleção de materiais e a aquisição de uma máquina de briquetagem, importada da Alemanha. Foi iniciado, também, o plantio de árvores e a implantação de melhorias que personalizem o Armazém como um espaço voltado para o bem-estar.

Em seu estágio inicial de operações, a 14 de Dezembro regularizou a situação trabalhista de todos os funcionários envolvidos no projeto. Também teve início no local a construção de um refeitório e de um novo banheiro, que irão atender às necessidades dos funcionários.

A parceria com a Prefeitura inclui uma intensa campanha de conscientização que será levada para empresas, escolas e demais órgãos públicos. A campanha pretende mostrar a importância da coleta seletiva e da preservação do meio ambiente.

Para saber mais sobre o Armazém Natureza: tel: (11) 7392 6726


Reciclagem e Preservação, Klabin - Piracicaba-SP

As fábricas da Klabin Embalagens já são conhecidas por figurarem entre as maiores recicladoras de papel do País. Suas três unidades empregam pessoas e geram outros milhares de postos de trabalho indiretos. Porém, há ainda um outro da empresa um pouco menos conhecido, mas que revela um alto grau de com prometimento com o meio ambiente: o projeto de preservação da vida animal que está ajudando a salvar diversos exemplares da fauna brasileira.

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Apenas em sua unidade de Piracicaba a Klabin produz mensalmente cerca de 8.500 toneladas de papel utilizando aparas de papelão e embalagens longa vida recicladas. Outras duas unidades recicladoras do Grupo Klabin estão situadas nos Estados de Pernambuco e Rio de Janeiro. Com essa matéria-prima, a Unidade Piracicaba produz papel miolo test liner.

Os supervisores de produção da empresa, explicam que a matéria-prima reciclável é comprada de aparistas em todo o País, principalmente no Estado de São Paulo. Assim, são adquiridas 11.400 toneladas de aparas e mais 300 toneladas de embalagens longa vida.

No caso da embalagem longa vida, a Klabin aproveita apenas a celulose, que corresponde a 75% do conjunto reciclado. O restante, 20% de plástico e 5% de alumínio, é prensado, enfardado e remetido para outras empresas recicladoras fabricantes de brinquedos, vasos, sinalizadores de rodovias, juntas para estrutura em construção civil, carretéis para fios, etc. No processo de desagregação das embalagens longa vida, a Klabin utiliza um equipamento Hidrapulper HI-Con para alta consistência (15%), com capacidade para decompor 50 toneladas por dia. Os supervisores esclarecem que a fibra da embalagem longa vida, por ser virgem, é de melhor qualidade e merece um tratamento adequado.

Até chegar ao produto final, as aparas e embalagens passam por um sofisticado processo de trasnformação. No início da desagregação, o liquid-Cyclone retira as impurezas pesadas como areia grossa e metais. Em seguida o mini-screen tira os rejeitos leves, como plásticos e grânulos pequenos. Na etapa segiunte, outras três baterias de ultra-clone fazem a depuração fina. Na etapa final, a massa recebe os aditivos como amido, cola e sulfato de alumínio para poder ser transformada em folha de papel.

Em seu trabalho de educação ambiental, a Klabin conta com um Centro de Interpretação da Natureza, no município de Monte Alegre, no Paraná, que atrai visitantes brasileiros e do exterior. O Centro conta com criadouros para reprodução de espécies da fauna regional ameaçada de extinção, que depois são soltas nas florestas da Klabin. Por meio dos trabalhos desenvolvidos nesta área, com apoio do IBAMA, já foram identificadas 322 espécies de aves. Mamíferos como o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, a lontra e a onça-parda, podem ser encontrados livres dos predadores nas florestas da Klabin. Com o programa de preservação da fauna, já são encontrados em grande número os macacos-prego, bugios, capivaras, catetos, queixadas, três espécies de veado, felinos de menor porte como a jaguatirica, o gato-do-mato e pequenos mamíferos, como a cotia e o quati, entre outras espécies, num total de cinqüenta mamíferos até agora.

Para saber mais: Klabin - Piracicaba, tel: (19) 421 4211


A Aposta na Educação, Juiz de Fora-MG

Educação. Esta é a principal ferramenta que o município mineiro de Juiz de for a adotou em sua estratégia para aumentar o volume da coleta seletiva de lixo que hoje abrange 43% da cidade. Para tanto, diversos projetos estão sendo implemantados na área de educação ambiental, tendo como público, não só as escolas mas a população em geral.

O programa de educação ambiental nas escolas está sendo implantado por meio de palestras e distribuição de cartilhas. Já a população em geral tem recebido informações e incentivo para a coleta seletiva através de diversos meios como, por exemplo, a distribuição de um folheto didático patrocinado pela Tetra Pak ou ainda um programa que prevê a troca de lixo por leite.

Se por um lado a municipalidade vem tomando várias ações para aumentar a coleta seletiva, por outro a cidade já conta com uma bem montada estrutura física para o processamento dos materiais. A coqueluche do sistema, a usina de materiais recicláveis, encontra-se instalada em uma área de 77 hectares, localizada no bairro Nova Benfica, na zona norte da cidade. Contando com 30 funcionários, a unidade recebe uma média de 12,5 toneladas de lixo por dia, o que corresponde a apenas 5% do lixo domiciliar do município. Ou seja, há um grande potencial a ser explorado. E a usina está preparada para tanto, uma vez que tem capacidade para processar 160 toneladas por dia, em dois módulos de seleção.

A usina dispõe de silo para recebimento e armazenamento do lixo, com capacidade para 160 ton; ponte rolante com pólipo, para retirar o lixo do silo e alimentar a linha de produção; esteira de alimentação e dosagem; peneira de pré-separação; peneira rotativa onde é feita a separação da parte fina do lixo; esteira de separação ou seleção, onde é feita a separação do material reciclável; prensa enfardadeira; unidade administrativa e de apoio (vestiários, sanitários, refeitórios, etc.) e uma balança rodoviária, utilizada para o controle do material que chega e que sai da usina.

O sistema de coleta seletiva adotado conta com trinta postos de entrega voluntária espalhados em pontos estratégicos da cidade. O morador entrega o material separado previamente em lixo seco e úmido, sendo este último entregue à coleta regular enquanto que o seco é transportado para a usina de reciclagem onde é separado, enfardado e comercializado por meio de leilões. Esse material inclui vidro, metal, plástico e papelão, e ainda as embalagens longa vida.


Para saber mais: DEMLURB (Departamento Municipal de Limpeza Urbana), tel: (32) 690 3502


Na Vanguarda da Educação Ambiental, Curitiba-PR

Sentados em cadeiras e carteiras garimpadas em meio ao lixo, a platéia de crianças ouve atentamente a aula de educação ambiental que a professora vai ministrando, tendo um quadro negro, também resgatado do lixão, como pano de fundo. Estas aulas destinam-se, freqüentemente, aos alunos dos mais diversos graus de escolaridade e têm como palco uma sala especialmente preparada na Usina de Valorização de Rejeitos, situada na Fazenda Solidariedade. É talvez um dos lados mais originais do programa de coleta seletiva de Curitiba, capital paranaense, e dá um bom indício de como a questão é levada a sério nesta cidade, conhecida pelos projetos inovadores e pela qualidade de vida de seus habitantes.

O programa de coleta seletiva de Curitiba já existe há 11 anos e atinge praticamente 100% da cidade sendo conhecido como "O Lixo que Não é Lixo". A coleta acontece de três formas diferentes: pela prefeitura, com sua frota de caminhões verdes; pelos coletores de material reciclável que integram a Cooperativa dos Coletores de Material Reciclável (Recopere) e ainda a Coleta Especial de Resíduos que cuida do lixo mais perigoso, como pilhas, lâmpadas, embalagens de remédios e de produtos químicos.

A face mais criativa do sistema ambiental da cidade é, sem dúvida, a Usina de Valorização de Rejeitos, situada em Campo Magro, município da Grande Curitiba, dentro da Fazenda Solidariedade. Ali o lixo é separado e preparado para a reciclagem. O papel é encaminhado às indústrias papeleiras, o ferro é levado para siderúrgicas, o vidro transparente vai para as cristaleiras, o vidro colorido para as fábricas de garrafas e artefatos deste material, o alumínio para as indústrias de metais não-ferrosos e as garrafas plásticas seguem para diferentes indústrias de reprocessamento.

Com este projeto o governo municipal conseguiu vários resultados. Um deles, a geração de empregos, com funcionários em dois turnos tocando a usina 14 horas por dia. Outro aspecto é o da economia de recursos, uma vez que a usina propicia novos produtos do que foi descartado pela sociedade. Há também os dividendos com a venda do material e por fim o aspecto mais importante, a educação ambiental. Quem trabalha na usina e quem visita o local aprende, na prática, a preservar o meio ambiente, porque percebe a importância da limpeza, da organização e da reciclagem. E todas as dúvidas são esclarecidas por uma educadora ambiental que recebe e orienta os visitantes.

Parcerias também são frequentemente adotadas como forma de contribuição para a melhoria do sistema de coleta seletiva da cidade. Melhoria, aliás, é algo para onde a população curitibana está sempre com os olhos voltados, afinal, é impossível manter-se o tão almejado padrão de qualidade de vida que tanto se orgulham, sem levar em consideração a questão ambiental.


Para saber mais: Departamento de Relações Públicas
Tel. (41) 350 8640
Curitiba-PR

Fonte: Ação Ambiental - Revista de Reciclagem e Meio Ambiente, Junho/2002. Tetra Pak.



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