Ambiente Agropecuário

Dejetos de Suinocultura

O impacto ambiental causado pelo manejo inadequado dos dejetos líquidos de suínos tem causado severos danos ao meio ambiente. Para a sobrevivência das zonas de produção intensiva de suínos, é preciso encontrar sistemas alternativos de produção que reduzam a emissão de odores, os gases nocivos e os riscos de poluição dos mananciais de água superficiais e subterrâneas por nitratos e do ar pelas emissões de NH3. Além disso, devem solucionar os problemas de custos e dificuldades de armazenamento, de transporte, de tratamento e de utilização agronômica dos dejetos líquidos.

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 A atividade é considerada pelos órgãos ambientais uma "atividade potencialmente causadora de degradação ambiental", sendo enquadrada como de grande potencial poluidor. Pela Legislação Ambiental (Lei 9.605/98 - Lei de Crimes Ambientais), o produtor pode ser responsabilizado criminalmente por eventuais danos causados ao meio ambiente e à saúde dos homens e animais.

Os dejetos suínos, até a década de 70, não constituíam fator preocupante, pois a concentração de animais era pequena e o solo das propriedades tinha capacidade para absorvê-los ou eram utilizados como adubo orgânico. Porém o desenvolvimento da suinocultura trouxe a produção de grandes quantidades de dejetos, que pela falta de tratamento adequado, se transformou na maior fonte poluidora dos mananciais de água.

No cenário atual a carne suína no Brasil é produzida com alta tecnologia, manejo e também possui certificação sanitária. A produção, hoje, ocorre em propriedades pequenas, médias e integradas a grandes processadores. O impacto ambiental causado pelo manejo inadequado dos dejetos líquidos de suínos tem causado severos danos ao meio ambiente. Para a sobrevivência das zonas de produção intensiva de suínos, é preciso encontrar sistemas alternativos de produção que reduzam a emissão de odores, os gases nocivos e os riscos de poluição dos mananciais de água superficiais e subterrâneas por nitratos e do ar pelas emissões de NH3. Além disso, devem solucionar os problemas de custos e dificuldades de armazenamento, de transporte, de tratamento e de utilização agronômica dos dejetos líquidos.

A suinocultura brasileira, a exemplo de outras cadeias produtivas do agronegócio, cresceu significativamente, nos últimos 14 anos. Esse crescimento é notado quando se analisa os vários indicadores econômicos e sociais, como volume de exportações, participação no mercado mundial, número de empregos diretos e indiretos, entre outros. A criação de porcos do passado evoluiu também na técnica e no modelo de coordenação das atividades entre fornecedores de insumos, produtores rurais, agroindústrias, atacado, varejo e consumidores. Passou a ser uma cadeia de produção de suínos, explorando a atividade de forma econômica e competitiva.

A atual expansão da suinocultura tem como principal característica a alta concentração de animais por área, visando atender o consumo interno e externo de carne, produtos e derivados. Observa-se, como consequência, generalizada poluição hídrica (alta carga orgânica e presença de coliformes fecais) proveniente dos dejetos, que somada aos problemas de resíduos domésticos e industriais, tem causado sérios problemas ambientais, como a destruição dos recursos naturais renováveis, especialmente água.

Esta situação exige a fixação de parâmetros de emissão cada vez mais rigorosos pelos órgãos de fiscalização. Os grandes centros produtores de suínos, a exemplo da Europa e Estados Unidos, já enfrentam dificuldades para manter os seus atuais rebanhos, como decorrência do excesso de dejetos, da saturação das áreas para disposição agronômica, da contaminação dos recursos naturais e dos altos investimentos para o tratamento dos efluentes. Por outro lado, países como o Brasil, que possuem clima e disponibilidade de área para utilização agronômica, têm ainda um potencial grande de aumentar seus rebanhos. Para isso, encontrar um modo de manejo adequado aos dejetos de suínos é o maior desafio para a sobrevivência das zonas de produção intensiva no Brasil, em razão dos riscos de poluição das águas superficiais e subterrâneas por nitratos, fósforo e outros elementos minerais ou orgânicos e, do ar, pelas emissões de NH3, CO2, N2O e H2S.

A recomendação técnica para o manejo destes resíduos líquidos é o armazenamento e tratamento em esterqueiras ou lagoas para posterior uso em lavouras como fertilizante. Os trabalhos de pesquisa desenvolvidos na área de manejo de efluentes da suinocultura indicam que nenhum tratamentos de dejetos em uso no Brasil, é capaz de tratar o resíduo final a ponto de que este seja lançado diretamente nos cursos d’água.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) tem apoiado a busca de alternativas para atenuar e solucionar os problemas ambientais causados pelos dejetos de suínos. Os principais resultados esperados com a implantação destes sistemas de tratamento de dejetos, são os ambientais, visando principalmente reduzir o potencial de poluição dos dejetos oriundos da atividade suinícola, já que a legislação ambiental tem pressionado este setor produtivo. Entre estas alternativas podemos destacar as câmaras de compostagem, sistema de tratamento desenvolvido em parceria entre ACCS a Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina (FAPESC) e a LPC Empresa de Tecnologia Ambiental. Estas câmaras consistem em um processo de transformação de materiais grosseiros, como palhada, maravalha e/ou cama de aviário e dejetos de suínos, em materiais orgânicos possíveis de ser utilizados na agricultura. Este processo envolve transformações extremamente complexas de natureza bioquímica, promovidas por milhões de microorganismos.

Como vantagem principal do sistema, podemos destacar a transformação do dejeto líquido em adubo sólido, minimizando o risco ambiental e viabilizando o transporte deste adubo para áreas carentes de matéria orgânica, podendo até mesmo ser comercializado.

Outra vantagem deste sistema de tratamento de dejetos de suínos são as reduções do nível de odor desagradável e da presença de moscas nas propriedades, além de que, dependendo das metodologias e da escala, poderão gerar crédito de carbono sendo, portanto, mais uma fonte de renda para o nosso suinocultor.

Desta maneira, aquilo que hoje é um custo na atividade, o armazenamento e distribuição dos dejetos, passará a ser uma fonte de renda e uma solução ambiental para uma atividade de grande valor social e econômico em Santa Catarina. Isto se confirmando, poderemos no futuro dizer que a suinocultura catarinense fez de um limão uma limonada, pois quem diria que o maior vilão da cadeia produtiva da suinocultura, o dejeto produzido pela atividade, poderá torna-se fonte de renda para o suinocultor.

 

Fontes: www.crea-sc.org.br www.eumed.net www.agricultura.pr.gov.br www.cnpsa.embrapa.br SETI - Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior Eng. Agr., D. Sc. Carlos Cláudio Perdomo, Embrapa Suínos e Aves Eng. Agr., Ph. D. Gustavo J.M.M. de Lima, Em



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