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Piscicultura

A piscicultura extensiva é praticada em reservatórios de grandes dimensões, naturais ou artificiais. Neste sistema, o número de peixes por unidade de área é baixa, a alimentação fica restrita ao alimento naturalmente existente e não há controle sobre a reprodução.

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O que é?            

A piscicultura é um dos ramos da aqüicultura, que se preocupa com o cultivo de peixes, bem como de outros organismos aquáticos que vem crescendo rapidamente nos últimos anos, transformando-se numa indústria que movimenta milhões de dólares em diversos países.

 

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Tipos de Piscicultura            

A piscicultura extensiva é praticada em reservatórios de grandes dimensões, naturais ou artificiais. Neste sistema, o número de peixes por unidade de área é baixa, a alimentação fica restrita ao alimento naturalmente existente e não há controle sobre a reprodução.

A piscicultura intensiva, seu principal objetivo é a produção máxima por unidade de área. É desenvolvida em tanques ou viveiros especificamente construídos para tal finalidade.

A piscicultura semi-extensiva caracteriza-se pela adoção de técnicas simples de manejo, como maior cuidado quanto à alimentação dos peixes, obtida, principalmente, pelo aumento da produção natural através da fertilização das águas, e pela aplicação da despesca, que retira do meio apenas os exemplares com peso adequado para o consumo. A alimentação natural pode ainda ser reforçada pelo uso de subprodutos ou alimentos baratos e facilmente encontrados.

 

Instalações, Equipamentos e Maquinários            

O sucesso da piscicultura depende em grande parte da escolha do local a ser desenvolvido o projeto. Por isso, diversos fatores de infra-estrutura local devem ser considerados e analisados antes de sua implantação. Quanto aos fatores biológicos devemos observar principalmente a água em termos de quantidade e qualidade, o solo, a topografia do terreno e os fatores climáticos .

A quantidade de água disponível determina a população de peixes a serem estocados, porém, se a qualidade da água estiver fora dos limites requeridos pela espécie a ser cultivada, não haverá uma resposta eficiente em termos de crescimento e engorda. Quanto à sua origem, as águas de nascentes são as mais recomendadas para a piscicultura devido a sua qualidade superior. As águas de rios, riachos e reservatórios também podem ser utilizadas, porém deve-se ter um cuidado maior devido à poluição e à presença de outros peixes.

As águas de poço não são indicadas por serem pobres em oxigênio e seu custo de captação e bombeamento ser muito grande. A quantidade mínima de água necessária para a criação de peixes deve ser tal que permita encher os tanques e viveiros em pouco tempo e mantê-los com o nível de água constante durante todas as épocas do ano. Essa quantidade vai depender muito da região em razão das diferenças de infiltração e evaporação, mas pode se considerar um caudal mínimo de 10 litros/s para cada hectare de área inundada. Caso o solo tenha excelente potencial de retenção de água, um caudal de 5 litros/s/ha durante todo o ano é suficiente.

A qualidade da água é um dos fatores mais significativos a ser considerado na escolha do local. Por isso devem ser colhidas amostras da fonte de água para realizar análises:

Físicas:

Coloração, turbidez, transparência, pressão atmosférica e temperatura. A temperatura é um dos fatores mais importantes, porque interfere no metabolismo dos peixes e nas reações biológicas, como a fotossíntese. Também quanto maior a temperatura, menor a taxa de oxigênio dissolvido na água.

Químicas:

Sais e nutrientes como: nitrogênio, amônia, fósforo, etc, o PH e oxigênio dissolvido. O oxigênio é indispensável a quase todas as funções vitais. Como fontes de oxigênio temos o próprio vento que agitando a superfície da água faz com que esta absorva oxigênio do ar, e a fotossíntese.

Biológicas:

Matéria orgânica, que quando em excesso leva a uma oxidação bacteriana que remove o oxigênio da água; "boom" de fitoplâncton e respiração de peixes e outros organismos aquáticos. O solo é outro fator importante na análise do projeto. Os solos ideais para a piscicultura são os argilosos ou areno-argilosos (com no mínimo 30% de argila), pois são impermeáveis, evitando grandes perdas de água por infiltração. Outra observação em relação ao solo é seu pH. Caso seja muito ácido ou muito básico deve ser corrigido.

A topografia também é um fator importante. A topografia do terreno a ser estabelecida deve ser de preferência plana a fim de facilitar e baratear os custos de remoção de terra para a construção de tanques.

O abastecimento de água deve ser feito preferencialmente por gravidade, estando a área de captação num nível acima do local escolhido para os tanques. Se as condições do terreno não permitir isto, deve-se optar pela construção de reservatórios ou mesmo de uso de bombas hidráulicas.

O terreno deve apresentar aproximadamente 5% de declividade como condição ideal para abastecimento e drenagem dos tanques por gravidade.

 

Criação 

Para que uma espécie possa ser utilizada em cultivo, deve apresentar algumas características básicas, quais sejam:

  • Adaptação ao clima
  • Crescimento rápido (precocidade)
  • Reprodução no ambiente de cultivo
  • Hábitos alimentares
  • Resistência ao superpovoamento
  • Rusticidade
  • Aceitação pelo mercado consumidor

 

Alimentação              

A alimentação de peixes, pela sua natureza complexa, ampla e abrangente, é assunto que obriga à discussão de diversos aspectos ligados direta ou indiretamente ao tema. A diversidade de espécies existentes indica uma correspondente diversidade de hábitos alimentares, com todas as suas particularidades e, como conseqüência, a existência de diferentes exigências nutricionais.

Para as condições do Brasil é de toda a conveniência que sejam escolhidas espécies para o cultivo intensivo com regimes alimentares do tipo planctófago, herbívoro e onívoro, em virtude de não exigirem teores de proteína elevados e aceitarem facilmente a alimentação artificial. Em outras palavras, estas espécies estão situadas nos primeiros degraus da cadeia trófica ou alimentar.

Sob o ponto vista nutricional, um alimento deve ser considerado quanto aos seus principais elementos nutritivos, ou seja, a proteína, os carboidratos e as gorduras e também quanto ao seu valor energético, necessário ao pleno desenvolvimento das funções vitais do peixe, como crescimento, locomoção e reprodução.

Em sistemas semi-intensivos e intensivos, o fornecimento de alimentação suplementar é de fundamental importância para a engorda dos animais. Esta alimentação pode ser feita através de ração balanceada ou uso de sub-produtos agrícolas. Para estes últimos pode se utilizar restos de alimentos como frutas e verduras, desde que não estejam em estado de fermentação.

A ração balanceada em sistemas semi-intensivos para carnívoros e onívoros, deve conter respectivamente:

  • Proteína bruta: 45% (carnívoro) - 34% (onívoro)
  • Gordura: 12% - 6%
  • Carboidrato: 25% - 40%
  • Fibra: 2,5% - 4%
  • Cálcio: 2% (ambas)
  • Fósforo: 0,7% (ambas)

 

Despesca            

Consiste em retirar os peixes dos tanques. Alguns cuidados devem ser adotados, seguindo os seguintes passos:

a) Esvaziar o tanque para que este fique com pouca água. Deve-se ter o cuidado para não secar completamente o tanque ou só deixar a lama, pois resultará em dificuldades na operação de pesca e perdas de peixe.

b) Usar uma rede de arrasto ou tarrafa no restante d'água para pegar os peixes. Quanto a hora mais favorável à pesca, é preferível a noite, o início ou fim do dia e os dias de chuva. Os peixes devem ser manipulados com grande cuidado para evitar feridas que prejudicam o processo de conservação eventual.

 

Aspectos Econômicos, Comerciais e Gerenciais            

Além de se analisar os fatores ecológicos, os aspectos econômicos também merecem atenção. Podem ser analisados por: Custo de propriedades, uso de água, mão-de-obra, transporte, materiais e serviços, disponibilidade de insumos, como adubos, alimentos suplementares, como restos vegetais e animais da propriedade, custos fixos e variáveis, custo de energia, distância dos mercados consumidores, vias de acesso existentes, financiamentos, política de utilização de recursos naturais, etc.

O tamanho do empreendimento dependerá do volume de produção e do tipo de sistema adotado, como já foi mencionado anteriormente. Também é interessante conhecer as tendências ou planos de desenvolvimento para a região em questão, pois não será prudente escolher um local numa área em que uma futura atividade industrial possa causar poluição na água, no ar ou possa se estabelecer um denso povoado.

 

Redação Ambiente Brasil


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