{"id":1798,"date":"2009-03-11T09:54:55","date_gmt":"2009-03-11T09:54:55","guid":{"rendered":""},"modified":"2021-07-10T20:14:51","modified_gmt":"2021-07-10T23:14:51","slug":"castanha-do-brasil_alguns_aspectos_silviculturais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/localhost\/florestal\/artigos\/castanha-do-brasil_alguns_aspectos_silviculturais.html","title":{"rendered":"Castanha-do-brasil \u2013 alguns aspectos silviculturais"},"content":{"rendered":"\n
A castanha-do-brasil (Bertholletia excelsa H.B.K.), tamb\u00e9m denominada castanha-do-par\u00e1, ocorre nos Estados brasileiros do Acre, Amazonas, Par\u00e1, Roraima, e Rond\u00f4nia, bem como em boa parte do Maranh\u00e3o, Tocantins e do Mato Grosso. Sua madeira \u00e9 de \u00f3tima qualidade para constru\u00e7\u00e3o civil e naval, bem como para esteios e obras externas (Loureiro et al., 1979).<\/p>\n\n\n\n \u00c9 uma esp\u00e9cie encontrada principalmente em solos pobres, bem estruturados e drenados, argilosos ou argilo-arenosos, sendo que sua maior ocorr\u00eancia \u00e9 nos de textura m\u00e9dia a pesada. N\u00e3o \u00e9 encontrada em \u00e1reas com drenagem deficiente nem em solos excessivamente compactados, dando-se bem em terras firmes e altas. Vegeta naturalmente em clima quente e \u00famido. Ocorre em \u00e1reas onde a precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dia varia de 1400 a 2800 mm\/ano, e onde existe um d\u00e9ficit de balan\u00e7o de \u00e1gua por 2-5 meses. (Clement, 2002).<\/p>\n\n\n\n Seu fruto \u00e9 um pix\u00eddio lenhoso, globoso, com tamanho vari\u00e1vel. Recebe o nome de \u201couri\u00e7o\u201d. As sementes ou \u201ccastanhas\u201d s\u00e3o de forma angulosa, com tegumento c\u00f3rneo tendo no seu interior a am\u00eandoa, de grande utilidade e alto valor econ\u00f4mico. Seu valor biol\u00f3gico \u00e9 grande para fins aliment\u00edcios, pois a am\u00eandoa desidratada possui em torno de 17% de prote\u00edna \u2013 cerca de cinco vezes o conte\u00fado prot\u00e9ico do leite bovino in natura. Fator importante, tamb\u00e9m, \u00e9 que a prote\u00edna da castanha possui os amino\u00e1cidos essenciais ao ser humano. O teor de gordura da am\u00eandoa desidratada \u00e9 extremamente alto, em torno de 67%. (Nascimento, 1984).<\/p>\n\n\n\n Apresenta v\u00e1rias aplica\u00e7\u00f5es: a) \u201couri\u00e7os\u201d como combust\u00edvel ou na confec\u00e7\u00e3o de objetos, mas o maior valor \u00e9 a am\u00eandoa, alimento rico em prote\u00ednas, lip\u00eddios e vitaminas podendo ser consumida ou usada para extra\u00e7\u00e3o de \u00f3leo; b) do res\u00edduo da extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo obt\u00e9m-se torta ou farelo usada como misturas em farinhas ou ra\u00e7\u00f5es; c) \u201cleite\u201d de castanha, \u00e9 de grande valor na culin\u00e1ria regional; c) madeira com boas propriedades. Mas, tendo em vista ser uma \u00e1rvore protegida por lei seu fruto tem elevado valor econ\u00f4mico como produto extrativo florestal.<\/p>\n\n\n\n 1 Pesquisador da Embrapa Rond\u00f4nia \u2013 Porto Velho- Rond\u00f4nia\u2013 shockloca@enter-net.com.br<\/p>\n\n\n\n 2 Professor do Curso de Geografia- Universidade Federal de Rond\u00f4nia \u2013 Porto Velho- Rond\u00f4nia<\/p>\n\n\n\n 3 Pesquisador CNPq\/CEPLAC-SUPOC- Porto Velho- Rond\u00f4nia<\/p>\n\n\n\n 4 Bolsista CNPq\/PBIC- Embrapa Rond\u00f4nia \u2013 Porto Velho – Rond\u00f4nia<\/p>\n\n\n\n Os principais consumidores de castanha-do-brasil est\u00e3o nos Estados Unidos e Europa-Reino Unido, Alemanha e It\u00e1lia, principalmente. O mercado dom\u00e9stico \u00e9 um percentual muito pequeno do mercado consumidor total influenciado pelos pre\u00e7os internacionais e n\u00edveis de renda local.<\/p>\n\n\n\n No que se refere \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de frutos, a castanha-do-brasil tem import\u00e2ncia social muito grande na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, j\u00e1 que a quase totalidade da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 exportada, principalmente para Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra. (Villachia, 1996).<\/p>\n\n\n\n A castanha-do-brasil \u00e9 excelente op\u00e7\u00e3o para o reflorestamento de \u00e1reas degradadas de pastagens ou de cultivos anuais, ao lado de outras esp\u00e9cies florestais. Hoje em dia, a explora\u00e7\u00e3o de exemplares nativos \u00e9 proibida pelo Decreto n\u00b0 1282, de 19\/10\/1994 que n\u00e3o impede seu plantio com a finalidade de reflorestamento (plantios puros e sistemas consorciados).<\/p>\n\n\n\n Dados de plantios de castanha-do-brasil em diferentes espa\u00e7amentos e com diferentes idades (35 a 156 e 480 meses) no estado de Rond\u00f4nia (Locatelli et. al., 2002), tem demonstrado que:<\/p>\n\n\n\n Nos povoamentos florestais de castanha estudados, a altura total e o di\u00e2metro (DAP) m\u00e1ximos encontrados foram de 29,79 m e 57,50 cm respectivamente. Na idade de 40 anos estes resultados diferem dos obtidos por Yared et. al. (1992) em medi\u00e7\u00e3o efetuada em Manaus, AM, que verificaram 23,9 m de altura total e 69,1 cm de DAP.<\/p>\n\n\n\n A an\u00e1lise qu\u00edmica do solo de plantio de castanha-do-brasil (argissolo vermelho amarelo distr\u00f3fico pl\u00edntico, textura argilosa) em Porto Velho, Rond\u00f4nia demonstra que a castanha-do-brasil apresenta bom desenvolvimento em altura e di\u00e2metro quando em solos com pH \u00e1cido, baixos valores de satura\u00e7\u00e3o de bases, solo distr\u00f3fico, baixa capacidade de troca de c\u00e1tions e alt\u00edssimos valores de satura\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio (Locatelli et. al., 2003).<\/p>\n\n\n\n REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n CLEMENT, C.R. Brazil nut. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.fao.org\/docrep\/v0784e\/v0784e0k.htm. Acesso em 30 maio 2002.<\/p>\n\n\n\n LOCATELLI, Marilia; MARTINS, Eug\u00eanio Pacelli; VIEIRA, Abadio Hermes; PEQUENO, Petrus Luiz de Luna; SILVA FILHO, Eliomar Pereira da; RAMALHO, Andr\u00e9 Rostand.Plantio de castanha-do-Brasil: uma op\u00e7\u00e3o para reflorestamento em Rond\u00f4nia. Porto Velho: EMBRAPA:CPAF-Rond\u00f4nia, 2002. (Recomenda\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas,60).<\/p>\n\n\n\n LOCATELLI, Marilia; SILVA FILHO, Eliomar Pereira da; VIEIRA, Abadio Hermes; MARTINS, Eug\u00eanio Pacelli; PEQUENO, Petrus Luiz de Luna. Caracter\u00edsticas de solo sob cultivo de castanheira (Bertholletia excelsa H.B.K.) em Porto Velho, Rond\u00f4nia, Brasil. Primeira Vers\u00e3o, Porto Velho, n. 168, p. 1-8, 2003.<\/p>\n\n\n\n LOUREIRO, Arthur A.; SILVA, Marlene F.; ALENCAR, Jurandyr da Cruz. Ess\u00eancias madeireiras da Amaz\u00f4nia. Manaus: INPA, 1979. v. 1.<\/p>\n\n\n\n NASCIMENTO, C.N.B. do.Amaz\u00f4nia: meio ambiente e tecnologia agr\u00edcola. Bel\u00e9m, EMBRAPA-CPATU, 1984. 282p. (EMBRAPA-CPATU, Documentos, 27).<\/p>\n\n\n\n VILLACHIA, HUGO. Frutales y hortalizas promisorios de la Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n Lima: Tratado de Cooperacion Amaz\u00f4nica, 1996.p. 85-95.<\/p>\n\n\n\n YARED, J. A. G.; KANASHIRO, M., VIANA, L. M.; CASTRO, T. C. A. de; PANTOJA, J. R. de S. Comportamento silvicultural da castanheira (Bertholletia excelsa H. & K.), em diversos locais da Amaz\u00f4nia. In: CONGRESSO FLORESTAL PANAMERICANO = PANAMERICAN FORESTRY CONGRESS, 1.; CONGRESSO FLORESTAL BRASILEIRO = BRAZILIAN FORESTRY CONGRESS, 7., 1993, Curitiba. Anais… Curitiba: SBS, 1993. v. 2. Trabalhos volunt\u00e1rios e posters. Acima do t\u00edtulo: Floresta para o desenvolvimento: pol\u00edtica, ambiente, tecnologia e mercado.<\/p>\n\n\n\n Mar\u00edlia Locatelli 1 A castanha-do-brasil (Bertholletia excelsa H.B.K.), tamb\u00e9m denominada castanha-do-par\u00e1, ocorre nos Estados brasileiros do Acre, Amazonas, Par\u00e1, Roraima, e Rond\u00f4nia, bem como em boa parte do Maranh\u00e3o, Tocantins e do Mato Grosso. Sua madeira \u00e9 de \u00f3tima qualidade para constru\u00e7\u00e3o civil e naval, bem como para esteios e obras externas (Loureiro et al., 1979). <\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1479],"tags":[23,655,18],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1798"}],"collection":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1798"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1798\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4621,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1798\/revisions\/4621"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<\/figure>\n\n\n\n
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