{"id":1366,"date":"2009-02-12T12:02:18","date_gmt":"2009-02-12T12:02:18","guid":{"rendered":""},"modified":"2021-07-10T20:31:19","modified_gmt":"2021-07-10T23:31:19","slug":"translocacoes_de_animais_silvestres","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/localhost\/fauna\/artigos\/translocacoes_de_animais_silvestres.html","title":{"rendered":"Transloca\u00e7\u00f5es de Animais Silvestres"},"content":{"rendered":"\n
Transloca\u00e7\u00f5es de Animais Silvestres Transloca\u00e7\u00e3o \u00e9 a movimenta\u00e7\u00e3o de organismos vivos, pelo homem, de uma determinada \u00e1rea para outra, com soltura nesta \u00faltima (UICN, 1987). Podemos distinguir tr\u00eas tipos de transloca\u00e7\u00e3o, definidos a seguir:<\/p>\n\n\n\n
As transloca\u00e7\u00f5es s\u00e3o poderosas ferramentas para o manejo de popula\u00e7\u00f5es em ambientes naturais e em ambientes que sofreram a interven\u00e7\u00e3o humana, e bem utilizadas podem trazer benef\u00edcios para os sistemas naturais e para o homem. Mas se utilizadas de maneira n\u00e3o t\u00e9cnica, as conseq\u00fc\u00eancias s\u00e3o desastrosas, causando enormes danos ao meio ambiente (UICN, 1997).<\/p>\n\n\n\n
Wilson (1988) relata que existam, aproximadamente, 1,4 milh\u00f5es de esp\u00e9cies j\u00e1 descritas, incluindo os insetos, os vertebrados e as plantas vasculares e bri\u00f3fitas. As esp\u00e9cies restantes de invertebrados, fungos, algas e microorganismos correspondem a grupos ainda pouco estudados, o que ampliaria o n\u00famero total de esp\u00e9cies para algo entre 5 e 30 milh\u00f5es. Nenhuma destas esp\u00e9cies ocorre uniformemente sobre a superf\u00edcie do planeta, cada uma restringe-se a uma \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o definida. Deste modo a extens\u00e3o de terra e\/ou \u00e1gua em que uma esp\u00e9cie pode ocorrer constitui a sua distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica.<\/p>\n\n\n\n Algumas delas s\u00f3 sobrevivem em um local espec\u00edfico e em nenhum outro, sendo denominadas esp\u00e9cies end\u00eamicas. A densidade biol\u00f3gica \u00e9 naturalmente maior em algumas \u00e1reas do que em outras. A sua presen\u00e7a em um determinado local obedece a causas hist\u00f3ricas (origem e evolu\u00e7\u00e3o), ecol\u00f3gicas (rela\u00e7\u00e3o com os fatores ambientais) e gen\u00e9ticas. Portanto \u00e9 necess\u00e1rio respeitar a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica natural de cada esp\u00e9cie animal e vegetal.<\/p>\n\n\n\n A distribui\u00e7\u00e3o de animais, plantas e microorganismos na terra \u00e9 din\u00e2mica e n\u00e3o est\u00e1tica. A movimenta\u00e7\u00e3o natural (sem a interven\u00e7\u00e3o humana) de esp\u00e9cies entre regi\u00f5es biogeogr\u00e1ficas (regi\u00f5es mundiais com caracter\u00edsticas espec\u00edficas de fauna, bem como de sua evolu\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o), ocorrem atrav\u00e9s dos contatos entre continentes (deriva continental) e \/ou atrav\u00e9s da diminui\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos mares, quando das glacia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n Estas movimenta\u00e7\u00f5es, no entanto, ocorreram em taxas baixas. Neste s\u00e9culo o homem est\u00e1 movimentando esp\u00e9cies em todo o mundo, em taxas muito elevadas, o que constitui fen\u00f4meno in\u00e9dito desde que os continentes se separam.<\/p>\n\n\n\n Introdu\u00e7\u00f5es somente devem ser consideradas caso nenhuma esp\u00e9cie nativa seja adequada aos prop\u00f3sitos a que se prop\u00f5e a esp\u00e9cie a ser introduzida, sendo estes bem definidos para o homem e\/ou comunidades naturais.<\/p>\n\n\n\n Reintrodu\u00e7\u00e3o \u00e9 a t\u00e9cnica \u00fatil no restabelecimento de uma popula\u00e7\u00e3o em seu h\u00e1bitat original, onde foi extinta. As reintrodu\u00e7\u00f5es somente devem ser levadas adiante se as causas originais da extin\u00e7\u00e3o tiverem sido removidas ou puderem ser controladas e se o h\u00e1bitat apresentar todos os requerimentos espec\u00edficos necess\u00e1rios. Alguns itens b\u00e1sicos para condu\u00e7\u00e3o de reintrodu\u00e7\u00f5es s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n 1 – Condu\u00e7\u00e3o de um estudo de viabilidade referente:<\/p>\n\n\n\n 2 – Prepara\u00e7\u00e3o para soltura:<\/p>\n\n\n\n 3 – Acompanhamento ap\u00f3s a soltura:<\/p>\n\n\n\n Revigoramento Populacional ou “Re-stocking”. Justifica-se o revigoramento populacional quando:<\/p>\n\n\n\n 1 – uma pequena popula\u00e7\u00e3o encontra-se em grande risco de retrocruzamento<\/p>\n\n\n\n 2 – uma popula\u00e7\u00e3o diminui a n\u00edveis cr\u00edticos e o crescimento natural ser\u00e1 perigosamente lento<\/p>\n\n\n\n 3 – h\u00e1 necessidade de trocas artificiais e taxas artificialmente mais altas de imigra\u00e7\u00e3o entre pequenas popula\u00e7\u00f5es isoladas geograficamente<\/p>\n\n\n\n Antes de se proceder a um “re-stocking” deve-se:<\/p>\n\n\n\n 1 – certificar de que a inviabilidade da popula\u00e7\u00e3o resulta de sua pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e n\u00e3o do manejo inadequado da \u00e1rea ou dos esp\u00e9cimes, causando deteriora\u00e7\u00e3o do h\u00e1bitat e\/ou utiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o sustent\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n 2 – ter muita aten\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica do estoque a ser utilizado em um revigoramento populacional. A manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica do estoque silvestre deve ser mantida a um m\u00ednimo, caso contr\u00e1rio a habilidade de sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie ou popula\u00e7\u00e3o pode ser adversamente afetada<\/p>\n\n\n\n 3 – observar que, em esp\u00e9cies com vasta distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, e onde o revigoramento se d\u00ea nos limites clim\u00e1ticos e ecol\u00f3gicos de sua distribui\u00e7\u00e3o, cuidados devem ser tomados no intuito de se utilizar indiv\u00edduos provenientes de zonas clim\u00e1ticas e ecol\u00f3gicas similares, de modo a n\u00e3o comprometer o gen\u00f3tipo de resist\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es das \u00e1reas limites da distribui\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n 4 – conhecer a proced\u00eancia, a idade, sexo e o estado de sa\u00fade dos animais utilizados. O perigo de introduzir doen\u00e7as nas popula\u00e7\u00f5es silvestres deve ser evitado, principalmente por aqueles animais que possam transmitir zoonoses<\/p>\n\n\n\n 5 – observar que, em casos de ser realmente necess\u00e1rio liberar na natureza animais de cativeiro reabilitados, \u00e9 mais seguro proceder a uma reintrodu\u00e7\u00e3o, onde n\u00e3o haver\u00e1 perigo de infectar popula\u00e7\u00f5es silvestres da mesma esp\u00e9cie com novas doen\u00e7as e onde n\u00e3o se criar\u00e1 problemas de aceita\u00e7\u00e3o social dos animais, por esp\u00e9cimes silvestres.<\/p>\n\n\n\n Finalmente, sugerimos que uma transloca\u00e7\u00e3o seja usada primariamente para estabelecer ou fortalecer uma popula\u00e7\u00e3o silvestre auto-sustent\u00e1vel, cujos indiv\u00edduos, de prefer\u00eancia, perten\u00e7am a uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o. Um programa b\u00e1sico de transloca\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentado a seguir e deve ser encaminhado \u00e0 Superintend\u00eancia do IBAMA, para an\u00e1lise e parecer, com seis meses de anteced\u00eancia da data programada para in\u00edcio do projeto.<\/p>\n\n\n\n Programa B\u00e1sico para Condu\u00e7\u00e3o de Transloca\u00e7\u00f5es:<\/strong><\/p>\n\n\n\n Fase 1 – Estudo de Viabilidade referente:<\/strong><\/p>\n\n\n\n a – a real necessidade de se proceder \u00e0 transloca\u00e7\u00e3o Fase 2 – Procedimentos Burocr\u00e1ticos e de Planejamento Global:<\/strong><\/p>\n\n\n\n a – elabora\u00e7\u00e3o de cronograma de todo o processo de transloca\u00e7\u00e3o, tomando-se como base para o planejamento a \u00e9poca \u00f3tima de soltura Fase 3 – Procedimentos de Prepara\u00e7\u00e3o dos Esp\u00e9cimes:<\/strong><\/p>\n\n\n\n a – levantamento de dados biom\u00e9tricos, da idade, do sexo, da identifica\u00e7\u00e3o at\u00e9 subesp\u00e9cie, da proced\u00eancia e da constitui\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica do estoque a ser liberado Fase 4 – Acompanhamento Ap\u00f3s a Soltura: IUCN (Uni\u00e3o Internacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o), 1987<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" Transloca\u00e7\u00e3o \u00e9 a movimenta\u00e7\u00e3o de organismos vivos, pelo homem, de uma determinada \u00e1rea para outra, com soltura nesta \u00faltima. <\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":2,"featured_media":1367,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1463],"tags":[1020,23,125,1021,710],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1366"}],"collection":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1366"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1366\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5239,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1366\/revisions\/5239"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1367"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/localhost\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<\/figure>\n\n\n\n
b – aos n\u00edveis de risco da modalidade escolhida
c – \u00e0 \u00e1rea receptora (fauna presente, capacidade de suporte, a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica, prote\u00e7\u00e3o, entre outros)
d – \u00e0s causas de diminui\u00e7\u00e3o ou extin\u00e7\u00e3o local da(s) esp\u00e9cie(s) na \u00e1rea receptora
e – aos aspectos ecol\u00f3gicos e sanit\u00e1rios da(s) esp\u00e9cie(s) \u00e0(s) qual(is) pertence(m) os esp\u00e9cimes a serem transportados
f – aos projetos de acompanhemento p\u00f3s-soltura
g – ao impacto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente na \u00e1rea (em caso de revigoramento) e a comunidade local
h – \u00e0s necessidades de condu\u00e7\u00e3o de programa de educa\u00e7\u00e3o ambiental relativos ao projeto
i – \u00e0s necessidades de recursos humanos e financeiros<\/p>\n\n\n\n
b – levantamento de esp\u00e9cimes dispon\u00edveis para o programa e\/ou necessidade de captura e conseq\u00fcentemente levantamento de \u00e1reas de captura
c – levantamento e confirma\u00e7\u00e3o da disponibilidade dos recursos financeiros necess\u00e1rios \u00e0 condu\u00e7\u00e3o de todas as fases do programa
d – levantamento e aquisi\u00e7\u00e3o de materiais e equipamentos
e – determina\u00e7\u00e3o e estabelecimento de recursos humanos necess\u00e1rios e cronograma de treinamento, se for o caso
f – defini\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de infra-estrutura no local de soltura (aclimata\u00e7\u00e3o)
g – obten\u00e7\u00e3o de autoriza\u00e7\u00f5es, permiss\u00f5es e licen\u00e7as
h – elabora\u00e7\u00e3o de planos alternativos e emergenciais
i – elabora\u00e7\u00e3o de estudos de acompanhamento ap\u00f3s a soltura.<\/p>\n\n\n\n
b – avalia\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e sanit\u00e1rias
c – administra\u00e7\u00e3o de tratamento m\u00e9dico veterin\u00e1rio e\/ou quarentena, se necess\u00e1rio
d – marca\u00e7\u00e3o com etiquetas, tatuagens, anilhas, entre outros
e – coloca\u00e7\u00e3o ou implanta\u00e7\u00e3o de equipamento de radiotelemetria, se for o caso<\/p>\n\n\n\n
<\/strong>
a – condu\u00e7\u00e3o de estudos para determinar a taxa de adapta\u00e7\u00e3o e a dispers\u00e3o dos animais translocados, a necessidade de futuras solturas e a identifica\u00e7\u00e3o de pontos positivos e negativos que conduziram \u00e0 falha ou sucesso do programa
b- monitoramento do impacto da transloca\u00e7\u00e3o no h\u00e1bitat<\/p>\n\n\n\n