Trilha Interpretativa: percepção e interpretação ambiental da microbacia do Ribeirão do Ouro através da fotografia – Araraquara-SP

 

 

Por Cristiane Regina Stuchi Fabbri e Andreia Cristina Eloy Bissesto

 

A percepção é um processo mental que ocorre entre o ser humano e o meio ambiente através de mecanismos perceptivos e cognitivos. Cada indivíduo percebe, reage e responde diferentemente frente às ações do meio.

Acreditamos que pode ser possível consolidar a fotografia como meio de expressão na comunicação social para uma tomada de conscientização entre os alunos, para a participação de cada um no processo de preservação ambiental. O aluno percebe e reconhece os elementos do universo ou espaços em que está inserido numa escala muito mais significativa de percepção de espaço-ambiente, quando ele mesmo faz o registro visual em imagens fotográficas. Estas obtenções fotográficas visam a perspectiva da produção de conhecimento, reconhecimento e crítica do indivíduo em relação ao seu território, cujos resultados podem servir de fonte de identificação, análise e interpretação dos elementos que constituem o seu universo.

Neste sentido, a Fotografia e a Educação Ambiental compõem um terreno fértil na elaboração de uma nova relação homem e natureza e do homem com sua própria natureza, na consolidação de uma consciência ecológica que reconheça a importância e o valor de todas as formas de vida e na responsabilidade da formulação de um novo pensamento coletivo e planetário. À medida que a fotografia permite o movimento de “enxergar a si próprio” e o mundo em que vivemos, podemos agir rumo à construção do mundo que sonhamos e queremos, com uma sociedade mais poética, justa, solidária, sustentável e eticamente planetária.

O projeto foi desenvolvido com 21 alunos da 4ª série A da Escola Municipal de Ensino Fundamental “Waldemar Saffiotti”, utilizando a trilha interpretativa como recurso educativo de percepção ambiental. De acordo com JUNQUEIRA (2004) a trilha interpretativa “é utilizada como estratégia para promover maior integração entre homem e natureza, proporcionando melhor conhecimento do ambiente local na abordagem de aspectos históricos, geomorfológicos, culturais e ambientais”.

O percurso da trilha foi elaborado tendo como base as diferentes paisagens naturais e construídas ao longo de toda a Microbacia do Ribeirão do Ouro que possui duas nascentes. O percurso total do Ribeirão do Ouro, da nascente a sua foz (excetuando-se os afluentes), possui 17.600 metros de extensão com trechos caracterizados por espaços naturais e artificiais destacando-se áreas de preservação com fragmentos de mata nativa de cerrado, áreas que necessitam de recuperação, áreas urbanas e áreas rurais. Ao longo do seu trajeto demarcamos cinco estações principais sugeridas como pontos de paradas para a realização de atividades e de observações dos diversos aspectos da trilha como tipo de vegetação, presença ou ausência de animais silvestres, presença ou ausência de mata ciliar, sons e odores predominantes, impactos ambientais e qualidade da água. Nestes pontos, os alunos tiraram fotografias de acordo com o que mais chamou atenção naquele ambiente.

Utilizamos vídeos educativos, questionários, aulas expositivas, redações, brincadeiras ecológicas e dinâmicas de grupo como recursos pedagógicos, bem como as aulas de campo para posterior análise e interpretação das fotografias tiradas pelos alunos.

Podemos concluir que o ensino vivencial permite uma aprendizagem mais efetiva, sendo o papel da educação ambiental estimular a reflexão crítica como proposta da construção do conhecimento e da afetividade.

Assim, procuramos encorajar os alunos aguçando sua curiosidade acerca da realidade cotidiana levando-os a refletir e interagir conosco seus questionamentos e observações críticas, de modo que as perguntas dos alunos se transformaram em novas questões de aprofundamento teórico. Isto nos deu subsídios para fazer um cenário avaliativo de respeito à diversidade de suas perguntas e respostas, constituído por discussões que ultrapassaram os temas meramente ecológicos estendendo-se para temas sociais e éticos. Dessa forma, conseguimos trabalhar a sensibilidade e a afetividade dos alunos de modo a conceber a avaliação como um projeto de futuro, no sentido de buscar garantir a todos uma aprendizagem para toda a vida.

 

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Alunos da 4ª série A, Andréia, Cristiane e a foz do Ribeirão do Ouro ao fundo.

 

 

 

Fonte: Cristiane Regina Stuchi Fabbri (crisfabbri@terra.com.br) e Andreia Cristina Eloy Bissesto (abissesto@araraquara.sp.gov.br), Pós-Graduação em Educação Ambiental e Recursos Hídricos – CRHEA/USP/São Carlos