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Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros - Uma Obra Prima da Natureza

São 65500 hectares de áreas protegidas. Um complexo hidrogeológico com terras que oscilam entre 600 e 1600 metros, forma um espinhaço que serve como divisor de águas da bacia dos rios Maranhão e Paraná.

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Reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial Natural, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros constitui o maior banco genético in natura do Cerrado brasileiro, ou seja, 25% de todo território nacional. São 65500 hectares de áreas protegidas. Um complexo hidrogeológico com terras que oscilam entre 600 e 1600 metros, forma um espinhaço que serve como divisor de águas da bacia dos rios Maranhão e Paraná.

Devido a esse fator, água é um elemento abundante na Unidade de Conservação. São rios, córregos e cachoeiras a irrigar toda área. Afluente do Tocantins, o Rio Preto é o principal da região. Como o próprio nome diz, suas negras águas contrastam com o verde da vegetação e cortam os paredões da Chapada formando lindas cachoeiras ao longo do seu curso.

Localizado na região central do Brasil, no Estado de Goiás, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros fica a 260 km da Capital Federal Brasília e a 470 km de Goiânia. O acesso é pela Rodovia GO 118 até a cidade de Alto Paraíso de Goiás. De lá são mais 36 km de estrada de terra (Rodovia GO 239) até a Vila de São Jorge, onde está situado o Centro de Visitação do Parque.

A verdadeira aventura do conhecimento rumo a Chapada dos Veadeiros começa nesses 36 km de percurso de estrada de terra. Entre curvas, subidas e descidas a vista não alça fim no imenso cerrado e seus chapadões rochosos. O ideal é percorrer o caminho ainda com luz natural para apreciar o visual e ter a possibilidade de avistar emas, seriemas, cervos, lobos-guará e outras espécies da fauna local cruzando a estrada.

Cânions, vales, montes, cachoeiras e rios propensos ao banho. Se não bastasse a beleza selvagem natural como principal incentivo para que a Chapada dos Veadeiros se tornasse um Parque Nacional, a riqueza da flora do Cerrado pede urgência à conservação, porque a grande maioria dessa vegetação é endêmica da região (Cerrado de Altitude), só ocorrendo neste ecossistema. São plantas medicinais, árvores frutíferas e flores raras a compor o cenário dividido em campos limpos, campos sujos, campos rupestres e veredas acompanhadas de matas ciliares. Destacando-se a palmeira buriti, canela-de-ema, ipê-amarelo, mangabeira e orquídeas das mais variadas formas e cores.

Proteger os mananciais hídricos da região, que é um abrigo natural de uma infinidade de microorganismos e diversas espécies da fauna e flora, e ainda implementar o desenvolvimento de pesquisas desse ecossistema típico, para unir visitação pública com educação ambiental são os objetivos específicos que regem a Unidade de Conservação.

Vale citar que anteriormente a criação do Parque Nacional, os moradores das cidades do entorno viviam da exploração de cristais e recursos naturais da área hoje protegida. A partir de 1990, quando a visitação no Parque passou a ser ordenada e dirigida, o Ibama treinou vários garimpeiros que atualmente atuam como guias de visitantes. O conhecimento desses garimpeiros foi aproveitado em benefício da própria Unidade de Conservação. De depredadores ambientais eles passaram a retirar seu sustento diretamente da conservação da Chapada dos Veadeiros.

Longe da perfeição, o Parque enfrenta problemas de caça predatória, extração ilegal de madeira, flores e mineral, falta de práticas que promovam a conservação do solo nas plantações lindeiras, uso ostensivo de queimadas nas fazendas vizinhas e especulação imobiliária.

Em 11 de janeiro de 1961, o Presidente Juscelino Kubitschek, atendendo ao pedido da Fundação Coimbra Bueno, criou o Parque Nacional do Tocantins, que anos mais tarde teve seus limites alterados e passou a denominar-se Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

Com a criação do Parque, as cidades de Cavalcante, Alto Paraíso de Goiás e Colinas do Sul e, principalmente, a Vila São Jorge foram diretamente beneficiadas com o aumento de turistas na região. Hotéis, pousadas e restaurantes foram instalando-se e absorvendo mão-de-obra local. Muitos artesãos também dobraram seus ganhos com a circulação de visitantes de todo o Brasil e estrangeiros.


Infra-Estrutura

Alto Paraíso de Goiás é a cidade mais estruturada da região. São hotéis de médio porte, com ar-condicionado, frigobar, televisão e telefone. Bons restaurantes e bares com música ao vivo, lojas com camisetas, fotos ou desenhos dos principais atrativos regionais, artesanatos variados, velas coloridas e perfumadas, objetos com cristais e pedras e produtos místicos como tarô, trevos, gnomos, sinos e outros.

Mas, é na Vila São Jorge que o visitante fica diante da entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. O romantismo da aventura está lá. São campings, pousadas com certo conforto, quartos e vagas na residência dos moradores da vila. Aliás, é comum ver a casa de um morador servindo comida caseira e cerveja gelada, uma outra oferecendo doces e assim por diante. Uma economia informal. Saboroso feijão, mandioca macia, berinjela, pimenta forte, verduras a gosto, pinga e os sucos de fruta da região devem ser conferidos por quem vai conhecer o Parque.

A elevada altitude e a pureza do ar atraem os visitantes a passeios noturnos para observar a constelação nos picos mais elevados. Em São Jorge é fácil ver pessoas conversando em volta de fogueiras ou concentrados em animadas rodas musicais regidas a violão.

 
Trilhas

Para percorrer qualquer trilha da Chapada dos Veadeiros é imprescindível apresentar-se ao posto de entrada do Ibama. Informar-se dos horários de visitação, taxas de ingresso, nomes dos guias autorizados pela instituição para acompanhar os passeios e demais informações acerca do Parque.

Antes de partir em alguma direção certifique-se do tempo de duração da trilha escolhida e quais obstáculos a serem vencidos. Muita disposição, roupas leves, tênis ou botas, chapéu, cantil, frutas, chocolate e comidas leves são recomendáveis aos desavisados que pretendem explorar a região. Uma vez que a grande maioria das trilhas termina em revigorantes duchas nas cachoeiras ou mergulhos em rios de águas límpidas, roupa de banho é essencial!

As ladeiras que levam até as cachoeiras do Salto de 120 metros e Salto de 80 metros são bem inclinadas e puxadas para as pernas, mas não desistam delas. Só assim é possível contemplar toda força da natureza convergida em queda d´água. Além disso, a Cachoeira do Salto de 120 metros é, de longe, a maior e mais bonita da Chapada. É fácil deparar com alguém que se esqueceu das horas observando-a de um de seus mirantes naturais. O espetáculo ainda é mais lindo ao amanhecer, quando os primeiros raios solares invadem o chapadão da cachoeira e formam arco-íris em diversos pontos, acordando as andorinhas que vivem nas cavidades rochosas existentes sob o Salto.

Subindo um pouco mais o Rio Preto surge a Cachoeira do Salto de 80 metros. O poço profundo das águas negras cristalinas é um convite aos mergulhos. Sem dúvida é o banho mais gelado da Chapada. A dificuldade de penetração dos raios solares no local e os respingos que escorrem paredão abaixo são dois fatores que contribuem para o microclima da Cachoeira.

Já a Cachoeira das Carioquinhas é ideal para aproveitar um dia inteiro. Apesar da longa distância, a caminhada para atingi-la não apresenta grandes dificuldades. Alerta na última descida que é bem escorregadia. As Carioquinhas são ótimas ao banho de sol porque localizam-se numa ampla clareira da Chapada.

Diferenciados no tamanho e altura, os Cânions estão em outra trilha do Parque. Aproximadamente 11 km de ida e volta exposto ao forte sol do Cerrado, longos trechos de caminhada sobre pedras e travessias de rios. Nada disso tira a disposição de conhecer o local que é cheio de piscinas naturais que compensam o esforço físico.

O Parque tem outros pólos de visitação que só são possíveis de chegar motorizado, como o Morro do Chapéu, Morro da Baleia, Aeroporto e as piscinas térmicas naturais no meio da mata, os quais, infelizmente, ainda não estão liberados à visitação pública.

Com aproximadamente cinco quilômetros de distância da entrada do Parque, trechos escorregadios e uma pequena fração de mata fechada, o Vale da Lua é a caminhada mais leve e visitada da Chapada. Seu cenário é composto pelo leito do Rio São Miguel preenchido por pedras de vários tamanhos e formas. Estruturais lisas e polidas devido à contínua ação da correnteza da água e constantes chuvas em sua cabeceira. Visto de longe parece uma grande maquete lunar, pelo aspecto de crateras no substrato rochoso.


Misticismo

Com cristais e demais minerais brotando da terra, a Chapada dos Veadeiros, além das já citadas belezas naturais, ainda é uma fonte de fortificação e curas espirituais. Inúmeros grupos que dedicam-se a tratamentos de cura, meditações, palestras, fitoterapia, energização, cromoterapia, ufologia e afins encontram-se nas cidades do entorno do Parque.

Por tudo isso, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é um convite a céu aberto para ecologistas, pesquisadores, expedicionários, fotógrafos, simples turistas e até místicos. Uma verdadeira obra prima da natureza.

 

Texto e fotos Marcelo de Paula E-mail de contato: mdepaulafoto@globo.com



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