Ambiente Mudanças Climáticas

O que é o El Niño

O nome “El Nino”, que vem do espanhol “o menino Jesus”, foi dado a esse fenômeno por pescadores peruanos, que observaram os aumentos sazonais da temperatura das águas superficiais do oceano na época de Natal.

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O aquecimento ocasional das águas superficiais no Oceano Pacífico central e oriental é chamado de El Niño. Em condições normais, os ventos alísios sopram de Leste para Oeste ao longo do Equador, acumulando água quente na camada superior do Oceano Pacífico tropical perto da Austrália e da Indonésia. Nessa região de águas superficiais quentes, a atmosfera é aquecida criando condições favoráveis para a convecção e precipitação. Nos níveis superiores da atmosfera os ventos sopram de Oeste para Leste, completando a circulação atmosférica de grande escala chamada Circulação de Walker, que foi chamada assim em homenagem a Sir Gilbert Walker, quem estudou variações da atmosfera no Oceano Pacífico Tropical durante a década de 20.

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Muitas vezes o princípio de um episódio do El Niño é anunciado alguns meses antes do Natal pelo aparecimento de águas mais quentes do que o normal perto da costa do Peru e Equador.

O nome “El Nino”, que vem do espanhol “o menino Jesus”, foi dado a esse fenômeno por pescadores peruanos, que observaram os aumentos sazonais da temperatura das águas superficiais do oceano na época de Natal.

Em intervalos irregulares, tipicamente de 3 a 5 anos, a intensidade dos ventos alísios diminui permitindo que a camada de águas superficiais quentes do Pacífico se desloque ao longo do equador em direção à América do Sul. Como é de se esperar esse deslocamento de águas quentes tem importantes repercussões na atmosfera. A convecção e precipitação que normalmente ocorrem no Oceano Pacífico ocidental, acompanham as águas superficiais quentes em seu deslocamento em direção ao continente sulamericano, causando chuvas mais abundantes do que o normal no Norte do Peru, Equador, e outras regiões tropicais da América do Sul. Enquanto isso, na parte Oeste do Oceano Pacífico o mecanismo de produção de precipitação cessa, causando secas na Austrália e Indonésia.

Os gráficos ao lado mostram a diferença entre os perfis verticais de temperatura ao longo do equador durante o verão de um ano normal, 1996, e o verão de 1997, um ano em que está ocorrendo um episódio forte do El Niño. Em 96, as águas superficiais mais quentes, com temperatura ao redor dos 30 graus, estavam localizadas no Pacífico Ocidental.

No Pacífico Oriental, a temperatura das águas superficiais era de aproximadamente 20 graus. Durante o El Niño de 97, as águas superficiais mais quentes foram deslocadas para a parte central do Oceano Pacífico ao passo que as águas superficiais da parte Leste do Pacífico foram aquecidas atingindo temperaturas acima dos 25 graus. Note como a inclinação vertical das isotermas durante o episódio do El Niño é menor do que a inclinação vertical das isotermas durante o ano normal (figuras ao lado). O presente episódio do El Niño está ocorrendo mais cedo no ano do que outros episódios do El Niño. Por exemplo, o El Niño do Século 20, em 1982/83 ocorreu mais tarde no ano com as maiores anomalias de temperatura em Fevereiro.

Como é de se esperar, mudanças tão grandes na superfície do oceano têm profundo impacto sobre a atmosfera. Embora a maior parte da variabilidade da atmosfera ocorra em escalas de tempo curtas, como por exemplo, as variações diárias do tempo, há muito que se reconhece a existência de variações atmosféricas em escalas de tempo mais longas.

Durante um El Niño, as águas equatoriais quentes aquecem a atmosfera durante vários meses. A atmosfera responde a este aquecimento produzindo um padrão alternado de sistemas de baixa e alta pressão, os quais por sua vez afetam profundamente a direção do vento local e inclusive as condições de tempo longe do Pacífico equatorial. Na América do Norte, os centros de baixa pressão localizados ao Sudoeste do Alasca e no Sudeste dos Estados Unidos afetam o tempo no Oeste do Canadá, e nas planícies setentrionais e região Sudeste dos EUA.

Durante um episódio do El Niño, há uma tendência para que ocorram temperaturas acima do normal na parte Oeste do Canadá e nas planícies setentrionais dos Estados Unidos. Isto ocorre porque um centro de baixa pressão localizado no Oceano Pacífico produz um fluxo de ar quente em direção ao Canadá e à parte Norte dos Estados Unidos.

No Sul dos Estados Unidos, outro sistema de baixa pressão produz um fluxo de ar frio causando temperaturas abaixo do normal. O mesmo sistema de baixa pressão no Sul dos Estados Unidos é responsável pelos aumentos na precipitação que ocorrem durante episódios do El Niño, especialmente em regiões perto do Golfo do México.

Um episódio do El Niño pode afetar as condições de tempo em diversas regiões do mundo. No Oceano Atlântico, perto da costa Sudoeste da África, as secas são freqüentes durante episódios do El Niño. Em países como o Zimbábue, cuja economia depende criticamente da produção de milho, os efeitos das secas podem ser devastadores.

Por outro lado, na parte Oeste da América do Sul, as chuvas acima do normal trazidas pelo El Niño permitem que os agricultores se beneficiem de uma colheita abundante de arroz ao invés de uma colheita normal de algodão.

As conseqüências econômicas do El Niño são impressionantes. Em 1982, prejuí zos de mais de R$ 25 milhões foram conseqüência do mais forte El Niño dos últimos 50 anos. Nem todos os El Niño são parecidos e nem a atmosfera reage da mesma maneira. Os cientistas continuam tentando prever o fenômeno e suas interações com o tempo global.

A interação entre a atmosfera, que é um fluído cuja estrutura muda rapidamente, e o oceano, que é um fluído cuja estrutura muda muito mais devagar, é de suma importância para determinar os efeitos de um El Niño. No Centro Goddard de Vôos Espaciais, modelos numéricos da atmosfera e do oceano estão sendo criados e aplicados em conjunto com dados de satélite.

O objetivo é compreender melhor o fenômeno El Niño e determinar a utilidade dos dados de satélite na previsão de futuros episódios do El Niño e seus efeitos sobre a atmosfera e o oceano.

 

 

 

Por Rosana Nieto Ferreira (Doutora em geociências da NASA) Fonte: Revista Eco 21, ano XV, Nº 101 abril/2005.



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