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 Ambiente Florestal

Silvicultura do Palmito Pupunha (Bactris gasipaes)

Produção de Mudas, Plantio, Tratos Culturais, Exploração, Pragas e Doenças

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A pupunha é uma palmeira muito utilizada na Região Amazônica, e que, devido ao seu grande potencial, vem sendo difundiada em vários estados do Brasil (Acre, Espirito Santo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, entre outros).

Segundo pesquisas realizadas pelo Instituto Agronômico do Paraná - IAPAR, esta espécie apresenta as seguintes vantagens em relação às duas espécies exploradas comercialmente, juçara (Euterpe edulis), e açaí (Euterpe oleraceae): os cortes podem ser realizados a partir de 18 a 36 meses; comporta-se bem em solos de baixa fertilidade; apresenta de 2 a 15 perfilhos por planta; o palmito apresenta bom rendimento e não escurece após o corte.

Além de fornecer o palmito, esta palmeira fornece os frutos que, quando cozidos e temperados com sal, podem servir como iguaria.

 

Produção de Mudas

Obtenção de sementes

A pupunheira leva cerca de 5 anos para começar a produzir frutos. Para a obtenção das sementes, devem ser realizados os seguintes passos:

1. Colher os frutos diretamente da árvore quando iniciarem a queda espontânea, ou recolhê-los no chão após a queda. Os frutos estarão passando da cor verde para a cor amarela ou vermelha

2.  Colhidos os frutos, selecionam-se os de bom aspecto e os não atacados por fungos ou pragas

3. Os frutos deverão ser cortados e as sementes retiradas, lavadas em água corrente ou deixadas de molho por 48 horas, com troca de água a cada 24 horas. As sementes que boiam devem ser descartadas.

4. Retiram-se os resíduos da polpa, esfregando as sementes em peneira de malha grossa.

5. Em seguida, as sementes são com água sanitária a 50% por 15 minutos. Depois as sementes são lavadas em água corrente durante cerca de 10 minutos e deixadas para secar à sombra por um dia.

6. Deverão ser semeadas o mais rápido possível, pois com a secagem as sementes perdem rapidamente o poder germinativo.

Semeadura

Segundo as recomendações do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), as sementes da pupunha deverão ser semeadas em canteiros com 1,0 a 1,2 metros de largura, 15 cm de altura e no comprimento desejado.

1. O leito da sementeira deverá ter 10 cm de areia e terra e 5 cm de serragem curtida. As sementes são espalhadas em linha e cobertas com serragem.

2. Os canteiros deverão ficar à meia sombra. Para isso, pode-se utilizar uma armação de bambu, coberta com folhas de palmeira ou bananeira, ou também pode ser utilizado o sombrite (50%).

3. Semeia-se de outubro a dezembro. O tempo de germinação varia de 60 a 120 dias, podendo chegar a 180 dias. A percentagem de germinação é de 70 a 75%.

4. As sementes devem ser molhadas diariamente sem secar.

Repicagem

1. Poderão ser utilizados como embalagens sacos de polietileno de 15 cm de diâmetro por 30 cm de altura.

2. Encher os saquinhos com a mistura de 2/3 de terra e 1/3 de matéria orgânica.

3. Repicar quando a parte aérea atingir 3 a 5 cm de altura.

4. Os saquinhos deverão permanescer à meia sombra.

5.  As mudas ficarão no viveiro por cerca de 5 a 6 meses.

6. A sombra deverá ser retirada gradualmente para as plantas se adaptarem ao sol.

7. As mudas devem ser regadas diariamente e é necessário controle sobre as ervas daninhas.

 

Plantio

Espaçamento e luminosidade

A pupunha é uma espécie que se adapta melhor em áreas planas ou suavemente onduladas e a pleno sol.

A área para plantio, se possível, deverá ser arada e gradeada. Plantar em covas de 30 x 30 x 30 cm, ou em caso de áreas de baixa fertilidade, 40 x 40 x 40 cm.

O espaçamento para a produção de palmito é de 2,0 x 1,0 m; ou 2,5 x 1,0m. Para a produção de frutos, deverão ser utilizados espaçamentos maiores, respeitando-se um intervalo de 8 metros entre as mudas por 4 metros de rua.

Adubação

A espécie desenvolve-se bem em solos pobres e ácidos, mas responde em precocidade em solos melhores e adubados, não tolerando solos encharcados.

As covas deverão ser corrigidas com calcário três meses antes do plantio, de acordo com a análise do solo. Recomenda-se o uso de matéria orgânica. Se for esterco de curral ou de frango, usar de 4 a 5 kg por planta/ano (ambos devem estar bem curtidos), ou de 1,5 a 3 kg por planta/ano no caso de húmus. A época de aplicação deve ser entre os meses de agosto e outubro de cada ano, podendo ser parcelada em cobertura até duas vezes por ano.

Para a adubação química, a melhor fórmula e as quantidades adequadas ainda carecem de pesquisas mais aprofundadas. No entanto, tem-se usado, com resultados satisfatórios, 200g/cova de superfosfato simples no plantio e, em cobertura, 120 gramas de potássio e 300 gramas de sulfato de amônia, parcelados em 3 aplicações (30, 60 e 90 dias).

É necessário uma análise do solo e depois uma calagem com base nos resultados de laboratório. Esse procedimento deverá ser repetido a cada três anos para se verificar as necessidades do solo, principalmente calcário.

 

Tratos Culturais

A rusticidade da pupunha permite que no primeiro ano seu cultivo seja combinado com outras culturas, gerando uma receita extra nessa fase. A partir do 2o ano, as capinas são reduzidas, pois o mato é sombreado.

O controle das ervas competitivas é fundamental; no entanto, não é recomendada a capina da coroa da planta, devido ao sistema radicular (que é farto e superficial), mas somente roçadas periódicas. Também pode se optar pelo uso de plantas leguminosas nas entrelinhas do plantio, como é o caso do amendoim silvestre (Arachis pintoi). Caso seja utilizado herbicida no controle das ervas, deve-se ter o cuidado de não molhar a pupunha com o produto para não provocar a queima das folhas.

A pupunha também pode ser plantada em consórcio com espécies diversificadas, formando Sistemas Agroflorestais (SAF's).

 

Exploração

Época de corte

Após o período de 18 a 36 meses de campo, já é possível iniciar o primeiro corte para extração do palmito comercial. O corte deve ser realizado quando a planta tiver de 1,60 a 1,80 metro, valor medido da inserção da folha mais nova até o solo.

Deve ser evitado o corte na época de seca, isso compromete o rendimento do palmito e sua maciez.

Obtenção do Creme

Para a obtenção do creme, seguem-se os seguintes passos:

  • Cortam-se primeiro as folhas laterais e terminais no seu ponto de inserção no tronco, depois corta-se a estipe com, aproximadamente, um metro.
  • Descascam-se as bainhas do palmito, deixando as duas últimas para proteção do creme no transporte (este ficará com 80-90 cm)

Cuidados no Transporte

  • Proteger sempre do sol os palmitos, deixando-os em ambiente seco e ventilado.
  • Evitar pancadas que poderão prejudicar o aspecto do palmito no envasamento.
  • Transportar os palmitos para fábrica no prazo máximo de 48 horas.
  • Cinco a oito dias é o prazo máximo para comercialização.

 

Pragas e Doenças

Doenças

Doenças Características Controle
 Antracnose 
  • Causa danos principalmente quando as plantas estão pequenas e na época fria.
  • Manchas arredondadas e marrons nas folhas.
  • Fungicidas à base de Benomyl e de cobre, alternadamente.
  • Melhoria das condições de ventilação do viveiro.
Phomopsis
  • Forma lesões alongadas e irregulares nas folhas.
  • O mesmo para Antracnose.

Pragas

No viveiro, não é comum o ataque de pragas. O que pode ocorrer é a incidência de lesmas e caramujos, característicos de lugares úmidos, mas que também são simples de serem controlados.

 

Redação Ambiente Brasil



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