Ambiente Florestal

Silvicultura da Erva-Mate (Ilex paraguariensis ST.HILAIRE)

Produção de Mudas, Plantio, Tratos Culturais, Tratos Silviculturais, Pragas e Doenças.

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Introdução

A erva-mate era elemento básico da alimentação dos guaranis, cuja tribo se espalhava pelo vasto território banhado sobretudo pelos Rios Paraná, Uruguai e Paraguai. Outras tribos, em cujas terras a planta não medrava, realizavam ativo comércio de troca com a bebida. O transporte era feito por milhares de quilômetros, através de difíceis caminhos, que atravessavam muitas vezes os Andes para chegar à Bolívia, ao Peru e ao Chile.

O uso do mate durante muito tempo tão inserido nos costumes de índios e europeus, desde o Peru ao Rio da Prata, que nem as proibições do governo paraguaio, nem as malsinações dos jesuítas (que chamavam o mate de “erva do diabo”, aludindo às suas supostas propriedades afrodisíacas) conseguiram por fim a um vício que cada vez mais contagiava os lares sul-americanos. Atualmente no Brasil a erva-mate é apreciada e consumida em várias regiões, principalmente nos estados sulinos.

 

Produção de Mudas

Segundo as recomendações técnicas florestais da EMATER - Paraná, para a produção de mudas de erva-mate deverão ser seguidos os seguintes passos:

Seleção de árvores porta-semente

Para seleção das árvores porta-sementes, deverão ser observados os seguintes pontos:

1. Tipo de erveira: selecionam-se as melhores árvores nativas em produção, ou então árvores plantadas que estejam há mais de seis anos sem poda. As erveiras com poda feita há menos de 2 anos não produzem sementes.

2. Histórico das erveiras: deve-se optar pelas árvores que tenham conhecidos seu histórico de produtividade, cortes, idade e problemas ocorridos.

3. Idade das erveiras: preferencialmente árvores adultas, de meia idade, ou seja, entre 15 e 30 anos. Evitar as erveiras muito velhas, pois darão sementes de baixa germinação.

4. Produtividade de massa foliar (volume de folhas): escolher as árvores vigorosas, que tenham copada bem formada, bastante enfolhadas. As árvores que produzem mais frutos do que folhas devem ser descartadas, não podendo ser aproveitadas.

5. Conjunto de árvores: as árvores matrizes devem ser escolhidas, sempre que possível na forma de capão ou bloco, com erveiras macho e fêmea (base de 4 por 1). O ideal é ter de 8 a 10 árvores juntas numa mesma área para garantir a polinização.

6. Tipo de bebida predominante: de acordo com o tipo de bebida preferido (suave ou forte), seleciona-se a árvore matriz.

Floração e frutificação

É importante a presença de insetos e abelhas nos ervais, para garantia da polinização das flores da erva-mate. Recomenda-se que sejam mantidas colméias de abelhas para o incremento da polinização das flores. erva-mate floresce entre os meses de setembro e dezembro. Por sua vez, a frutificação ocorre nos meses de janeiro a março.

Período de Colheita de Frutos

Os frutos estão maduros e prontos para serem colhidos, quando apresentarem coloração de violácea a roxa. Por isso, visualmente se determina quando:

1.  Ocorrer a mudança de coloração dos frutos, passando do verde claro para o violáceo a roxo.

2.  A semente ficar consistente (tegumento duro).

3.  Os pássaros começarem a procurar os frutos.

 

Método de Colheita de Frutos

Existem três métodos diferentes para a colheita dos frutos da erva-mate em árvores matrizes.

1. Colheita no chão: apesar de ser a mais fácil, apresenta a desvantagem de ataques de broca de semente. Este processo também não possibilita identificar a árvore mãe. Os frutos maduros caem direto no solo, e por isso deverá estar devidamente limpo (a capina da saia da erveira é necessária).

2. Colheita na lona: coloca-se uma lona para receber os frutos sob a árvore mãe. Não é necessário, a limpeza das ervas daninhas, sendo este o melhor método.

3.Colheita na árvore: faz-se a limpeza do terreno ao redor da árvore mãe, colocando um lona no chão. Efetua-se o corte dos galhos com frutos maduros (utiliza-se facão, tesoura de poda ou as mãos), derrubando-os na lona.

 

Obtenção da Sementes a partir dos Frutos

Depois de colhidos os frutos da erva-mate, deverão ser desenvolvidas as seguintes atividades para a obtenção das sementes:

1. Maceração ou esmagamento dos frutos: os frutos colhidos devem ser colocados em recipientes com água, onde permanecerão de 2 a 3 dias, em processo de fermentação. A polpa e as sementes serão separadas mais facilmente. Pode ser utilizado um pequeno rolete sobre uma tábua lisa, esmagando os frutos fermentados, ou ainda pode-se secar as sementes em um pilão de madeira. 

2. Lavagem das sementes: a mistura de sementes e polpa dos frutos será lavada em água corrente, mantendo-a sobre uma peneira, retirando toda a impureza das sementes.

3. Secagem das sementes: as sementes lavadas são espalhadas sobre uma lona em um local sombreado e ao ar livre.

4. Limpeza das sementes: na maioria dos casos, usa-se a peneira manual. Geralmente cada fruto contém 4 sementes. Assim, um quilo de frutos fornece 100 gramas de sementes (relação de 10 por 1). Equivale dizer que um quilo de sementes corresponde a 120.000 sementes de erva-mate, as quais viabilizam cerca de 12.000 mudas.

 

Preparo dos Canteiros

Os canteiros devem ser instalados longitudinalmente no sentido leste-oeste, para que todas as mudas recebam a mesma insolação, quando estão parcialmente cobertos. A superfície de cada canteiro, deve, de preferência, ser levemente convexa, ou então, plana (nunca côncava).

As embalagens de mudas devem ser emolduradas com tábuas de 13 cm de largura, tijolos, placas de cimento, roletes de bracatinga, ou simplesmente terra amontoada junto às embalagens.

 

Terra utilizada no Viveiro

A erva-mate desenvolve-se melhor em solo fértil e friável. Deve-se utilizar solo rico em matéria orgânica ou então adicionar esterco curtido ao solo. Devemos evitar as terras muito argilosas, pois elas danificam as raízes, no momento do arranquio para transplante. Para a desinfecção dos canteiros e da terra a ser usada no viveiro, efetua-se o expurgo da terra. Para isso, utiliza-se o Brometo de Metila, a base de 1 lata para 3 a 4 m3  de terra peneirada. O tempo de desinfecção é de 72 horas, após o que se retira a lona plástica. Expõe-se, então, a terra tratada ao ar, durante um mínimo de 4 dias. Não devem ser feitos montes de terra com altura superior a 0,5 metro.

 

Estratificação das Sementes

As sementes da erva-mate recém colhidas da árvore matriz tem germinação demorada e irregular, devido ao tegumento duro das sementes. Em geral, ficam de 6 a 7 meses em estratificação antes de viabilizar a semeadura. Por isso, é necessário efetuar-se a estratificação das sementes para quebrar a dormência. Existem 2 métodos básicos:

1. Método da lata: É o processo mais conhecido, apesar de perder muitas sementes por apodrecimento. Consiste em furar uma lata de 20 litros (os lados e o fundo), onde se coloca uma camada de areia de 3 cm de espessura. Sobre ela coloca-se uma camada de sementes, seguido de areia, alternando-se as camadas até encher a lata. Enterra-se o recipiente em um local sombreado, deixando as bordas fora da superfície do solo. Deverão ser feitas boas regas, não deixando faltar umidade.

2. Método da sementeira de areia:  É um método que visa aumentar o aproveitamento das sementes. Constroi-se uma caixa sem fundo, cuja medida dependerá da quantidade de sementes (por exemplo, para 3 quilos utiliza-se uma caixa de 30x30x30 centímetros). Abre-se um buraco no local sombreado, onde ficará a sementeira, nas medidas da caixa sem fundo. Preenche-se o buraco da sementeira com carvão, cacos de telha ou pedriscos, até o nível do terreno. Sobre essa camada de drenagem, coloca-se a caixa sem fundo, sem enterrá-la no terreno.

Coloca-se uma camada de 5 cm de areia branca lavada de construções. Assentada a areia com um taco ou pequena tábua, semeia-se uma camada em toda superfície de areia. Cobre-se as sementes com uma camada de areia de cinco centímetros, assentando-a bem sobre as sementes mas sem misturá-las. Deve-se molhar muito bem, usando regador com crivo bem fino. A semente estará em condições de ir para a sementeira quando apresentar o tegumento amolecido, ou seja, quando se parte com a simples pressão das unhas.

 

Semeadura das Sementes Estratificadas

Retiradas as sementes estratificadas, efetua-se a lavagem em água corrente, sobre uma peneira. Eliminadas as impurezas e a areia, efetua-se a semeadura em canteiro de terra. A época ideal para semeadura são os meses de agosto e setembro. As primeiras plantas surgem, aproximadamente, aos 40 dias após a semeadura. Devem continuar os cuidados com as regas, usando regadores com crivo fino.

O nascimento das mudinhas é irregular, tanto assim que, enquanto as mudinhas são transferidas para o viveiro, outras continuam nascendo na sementeira.

 

Repicagem das Mudas

Trata-se da remoção das mudas de erva-mate de sementeira e transplante para embalagens plásticas. Normalmente as mudas terão de 6 a 8 folhas, ou seja de 3 a 5 cm de altura.

As operações que compõem  a repicagem envolvem:

1.  Umedecimento da sementeira com as mudas de erva-mate.

2.  Remoção das raízes, com ajuda de faca ou lâmina.

3.  Colocação das mudas em recipiente com água.

4.  Umedecimento das embalagens encanteiradas.

5.  Abertura dos orifícios para o plantio, com uso de tarugo cônico.

 

Estaquia

A estaquia é uma técnica que permite a reprodução de plantas com as características idênticas às da árvore-mãe.

Conforme recomendações da EMBRAPA os passos para produção de estacas são os seguintes:

1. Cortar as brotações jovens com até um ano de idade, utilizando tesoura de poda.

2. As estacas deverão ter cerca de 15 cm de comprimento, apresentando um par de folhas.

3. Pode ser utilizada caixa de isopor para o transporte das estacas, mantendo sempre a umidade dentro da caixa.

4. As folhas devem ser cortadas pela metade.

5. Em seguida (as estacas) são submersas em solução de hipoclorito de sódio a 1% (volume/volume) durante 5 minutos.

6. Lavar em água corrente por 5 minutos.

7. Mergulhadas em Benlate na concentração de 0,5% (peso/volume) por 15 min.

8. Posteriormente  as bases da estaca são imersas por 10 segundos  na solução de hormônio AIB (ácido indolbutírico) na concentração de 8000ppm, que deverá ser diluído em uma solução  de 50% de álcool e 50% de água.

9. Em seguida, as estacas vão para uma caixa contendo vermiculita ou casca de arroz carbonizada como substrato.

10. A caixa preparada com o substrato e as estacas segue para a casa de vegetação, onde permanece por 2 meses sob condições de temperatura e umidade controladas.

11. Seguem para o viveiro onde são acomodadas em embalagens plásticas com terra, permanecendo de 4 a 6 meses antes de ir ao campo.

 

Plantio

O plantio é realizado quando as mudas atingirem o padrão de 15 a 25 cm (12 a 14 folhas e diâmetro do colo superior a 2,5 milímetros). Antes de levar a muda para o plantio definitivo, a terra das embalagens das mudas deve ser bem molhada

 

Implantação de Ervais

De acordo com a disponibilidade dos recursos de terra, capital e mão-de-obra, de cada propriedade, os seguintes sistemas de plantio poderão ser adotados.

1.Erval a céu aberto: Consiste no plantio solteiro ou plantio consorciado com lavouras ou pastagem. As mudas de erva-mate são expostas ao sol direto.

2.Erval sob cobertura: Consiste no plantio sob mata raleada, ou então, aproveitando sombreamento de plantas sombreadoras, tipo milho.

3.Erval em leiras ou curvas de nível: Consiste na abertura de faixas com largura de 1,0 a 1,2 metros em capoeiras leves, ou então, de 1,5 a 2,5 metros de capoeiras pesadas. Posteriormente, os plantios das mudas são feitos nessas leiras ou faixas. O correto é efetuar a abertura dessas faixas em curva de nível.

 

Preparo do Solo

Antes de mais nada, devem ser marcadas as curvas de nível no terreno, para implantar as práticas de controle da erosão e preparar o solo. O preparo do solo e o coveamento podem ser feitos de duas formas diferentes:

1.Aração e gradagem do terreno destinado ao plantio, seguido de coveamento.

2. Abertura de covas no terreno, diretamente. Estas atividades devem ser realizadas com uma antecedência de pelo menos 30 dias, antes do plantio.

Tratando-se de terrenos mecanizáveis (tração animal ou trator), é aconselhavel efetuar a mobilização do solo com arado e grade, antes do plantio de erva-mate.

 

Plantio de Mudas de Erva Mate

É feito após o período de oito a doze meses da sua repicagem, período em que adquiriu alguma casca e ficou em condições de ser transplantada.

a) Época de plantio

A melhor época é o inverno, de preferência ao final da estação, quando a planta encontra-se em repouso vegetativo (agosto). O período menos aconselhado é o de verão (outubro a fevereiro). Os melhores dias são os chuvosos ou encobertos. Para garantir o “pegamento” das mudas, é aconselhado o horário da manhã (bem cedo) ou o final da tarde.

b) Alinhamento do Erval            

Existem três situações básicas para orientação do espaçamento entre as covas:

1.  Nos plantios feitos com áreas de lavouras ou pastagens, e no adensamento de erval nativo, normalmente se utiliza o espaçamento de 5 x 3 metros.

2.  Nos plantios de erva-mate solteira, a pleno sol, deverá ter um espaçamento de 3 x 3 metros.

3.  Nos plantios de erva-mate com poda mecânica (utilizado na Argentina), a pleno sol e colheita anual ou a cada 2 anos, emprega-se o espaçamento de 3 x 1 metros.

c) Abertura de covas

O tamanho da cova depende da natureza do solo. Em terras que permitem boa penetração das raízes, as covas podem ser de 30 x 30 cm (de diâmetro e profundidade respectivamente). Em terrenos argilosos as covas devem ser maiores, facilitando o desenvolvimento inicial da planta. O enchimento das covas devem ser feitos com terra raspada do solo superficial.

d) Adubação orgânica            

No caso de consorciação com culturas agrícolas (milho, feijão, etc), quando adubadas, o solo tende a se manter sempre fértil. Quando isso não acontece, é aconselhável a adubação orgânica, com compostos preparados na própria propriedade. Devem ser espalhados na faixa central das entrelinhas, e incorporados ao solo com a aração que costuma ser feita no inverno. Os compostos podem ser preparados com estrume de curral, restos  vegetais (manta vegetal), cinzas, resíduos de erva cancheada, pó de ossos, restos de culturas agrícolas, biofertilizantes, etc.             

Podem ser utilizadas as plantas de adubação de verde como Mucunaspp.,Crotolariasp., Vicia sp. (ervilhaca), Lupinus sp. (tremoço), Raphanus sativus (nabo forrageiro). Estas são plantadas nas entrelinhas do erval, sendo incorporadas ao solo antes na fase de floração. Pode ser feito o corte com rolo-faca e  incorporação através da aração. (ver Adubação Verde)   

A adubação mineral pode ser realizada de acordo com  os resultados de análise de rotina do solo juntamente com  a recomendação de um técnico. e) Procedimentos no plantio das mudas 

A embalagem deverá ser retirada completamente evitando a danificação das raízes. A muda deve ser colocada na cova cuidando para que o nível da terra da muda coincida com o nível do terreno.  A muda deve ser plantada bem no centro da cova e ficar bem reta em relação ao nível do terreno. Dentre os problemas surgidos no plantio (que redundam na morte das mudas), ou posteriormente no desenvolvimento das árvores, identificam-se formas incorretas de colocação das mudas na cova.

 

Tratos Culturais

Proteção das Mudas Plantadas 

As mudas devem ser protegidas contra a ação dos raios solares nos primeiros 6 meses de campo. As mudas também são sensíveis ao frio, geadas e nevascas. A proteção das mudas poderá ser realizada da seguinte forma:

1.  Método gaúcho (lâminas ou tábuas): a muda será protegida por 2 pedaços de madeira (50 x 20 cm) contra o sol, nascente e poente. Assim, em relação à superfície do chão, as lâminas devem formar um ângulo, cujo vértice situa-se acima do topo da muda. A lâmina maior fica inclinada sobre a muda pelo lado do sol da tarde (lado oeste ou sol poente), enquanto a lâmina menor fica encravada no solo pelo lado leste (sol nascente da manhã). Algus ervateiros adotam o sistema de usar apenas uma lâmina ou tábua (50x20cm), colocando-a do lado do sol da tarde.

2.  Método argentino (poncho): é formado por uma estaca mais alta do que a muda, sendo que na parte superior desta estaca amarra-se um feixe de capim de colmo longo, que reveste a muda totalmente. O poncho, assim armado, é cravado ao lado da muda recém plantada, de modo que o feixe, sendo aberto em leque, oferece boa proteção, principalmente do lado mais castigado pelo sol.

 

Irrigação das Mudas no Campo

As mudas de erva-mate devem ser irrigadas no nível de cada cova, sempre que houver estiagem superior a 20 dias. Tal medida deverá ser observada até o enraizamento definitivo das mudas, ou seja, nos primeiros 6 meses de campo.

 

Replantio

Após um espaço de 30 dias depois do plantio das mudas de erva-mate, efetua-se vistoria do erval, para se conhecer o número de falhas na plantação. Caso não haja condições de replantio na época da vistoria, deverá ficar para o inverno seguinte. Neste caso, deve-se plantar mudas vigorosas, para que não apresentem desenvolvimento inferior às que estão no campo há um ano. Em ervais grandes, quando se efetua o plantio de mudas, somente quando as perdas forem superiores a 20% é que ocorre o replantio. Em pequenos ervais, as regras são ajustadas pelo produtor.

 

Capinas Periódicas e Roçadas   

As capinas devem ser realizadas assim que houver o aparecimento de ervas daninhas que possam concorrer com a erva-mate, em adubação e umidade. A capina deve ser feita até os cinco anos, isto porque a erva-mate necessita de área limpa para se desenvolver.

A partir do quinto ano, utilizam-se roçadas, que podem ser manuais ou mecânicas, dependendo do espaçamento usado no erval. As roçadas devem ser feitas na pré-floração das ervas daninhas.            

Baseado nas experiências argentinas de Missiones, podemos resumir nos seguintes tópicos as bases da limpeza de ervais plantados:

1. Não usar enxadas de forma excessiva junto das erveiras, substituindo-a por adubação de cobertura por causa das raízes superficiais.

2. Durante os meses de março/abril, deverá ser realizada a eliminação das ervas daninhas de verão, mediante a incorporação ao solo de matéria orgânica resultante do adubo verde de inverno.

3. A partir do 5o ano, as erveiras devem ser manejadas de forma a permitir a manutenção de faixas de adubo verde, lavoura ou pastagens. A altura da condução das copas e o espaçamento das erveiras deverão estar ajustados.

 

Tratos Silviculturais

Poda

A função econômica das erveiras é produzir folhas. Para isso é necessário estimular a formação e o crescimento de novos ramos e folhas. O aumento da produção de folhas numa erveira é obtido pela renovação dos galhos. Para tanto, existem 3 tipos de poda das erveiras:

Poda de formação da Erveira

1. A poda de formação permite que se projete o formato da erveira, dando-lhe uma copa tipo cálice. Consiste em aparar-se a haste principal da erveira e eliminar todos os galhos tortos e entrelaçados. Também são cortados os brotos e os galhos que nascem na base do tronco e os galhos que tomam a direção vertical.

2. A poda de formação das erveiras geralmente é feita no final do inverno, durante os meses de agosto e setembro onde são mínimos os riscos de geadas; além disto a rebrota das plantas ainda não foi iniciada.

3.  1º Corte: efetua-se ao final do 1º  ano de campo. consiste no corte da haste principal de 10 a 15 cm acima do terreno. além disso selecionam-se 3 ramos vigorosos, despontando-os para serem os galhos-guia da futura copa da erveira. Quando a muda já tem bifurcação de galhos, faz-se a poda de 5 centímetros acima da mesma. Abaixo do corte nascem diversos brotos.

4. A inclinação do corte dos galhos deve ser orientada de forma a deixar o maior comprimento para fora. os novos brotos irão surgir mais do lado de fora dos galhos podados, abrindo a copa da erveira.

5. 2º Corte: geralmente efetua-se ao final do 2ºano de campo da erveira. Consiste na escolha de 3 galhos vigorosos e voltados para fora da copa, a partir de cada galho-guia. Podam-se os galhos selecionados a uma distância de 10 a 40 cm de sua base. Os ramos verticais ou varões são eliminados e os demais são despontados.

 

Recepa ou Decepa de Erveiras Velhas

A recepa ou decepa é uma prática recomendada para aquelas árvores que produzem poucos galhos e folhas, além de serem altas (10 a 15 metros) e inviabilizarem a colheita. Consiste em se cortar o tronco da erveira na altura de 1 a 2 metros, efetuando corte inclinado (em bisel), sem causar rachadura. Deve ser realizada no final do inverno (agosto).   

O decepamento do tronco somente é aconselhavel quando se encontra muito atacado por brocas, ou quando começa a secar devido a qualquer problema específico, ou então quando se deseja rebaixar erveiras adultas em meio a um erval de menor porte.            

Para indivíduos muito velhos, a recepa deve ser feita junto ao solo, para permitir a formação de brotos. Mais tarde, efetua-se a desbrota a fim de ficarem somente os dois melhores brotos no lugar da árvore derrubada.Caso seja utilizada a motosserra, deve ser evitado o respingo do óleo no tronco da erveira cortada. Ele causa a morte das árvores. O ideal será a lubrificagem com óleo vegetal.

Poda de Formação

Trata-se da verdadeira safra de erva. Consistente em cortar-se, a partir do 4º ou 5º ano de campo, as erveiras plantadas e formadas. A colheita consiste em despojar a árvore e seus ramos, para aproveitamento das folhas e ramos pequeninos, que são as partes utilizáveis na elaboração da erva cancheada.

1. Freqüência da poda: será realizada a cada 2 anos (ou anualmente) nos ervais plantados. Retira-se em torno de 70% das folhas de cada erveira. Deverão ser deixados até 30% dos galhos e folhas, para manter a estrutura da árvore e acelerar a recuperação.

2. Época de podar as erveiras: o ideal é no inverno, antes de ocorrer a nova brotação. As folhas estão maduras, e, a erveira está em repouso fisiológico. Recomenda-se efetuar o corte da erva-mate em dias límpidos e após a dissipação do orvalho (após 9 horas da manhã). Devem ser evitadas as primeiras horas da manhã ou os dias chuvosos, para que não haja problemas de cicatrização (evitando o apodrecimento de galhos). Normalmente colhe-se de maio a setembro, mas se concentrando nos meses de junho e julho.

3. Forma de podar: deve-se cortar apenas os galhos anuais, retirando o peão central na altura de predomínio da massa da erveira. Geralmente um homem poda uma árvore em 30 minutos. Deve-se manter a estrutura da árvore (forma de cálice).Quando é utilizado o facão, deve-se fazer o corte transversalmente, de baixo para cima, a fim de que a parte exposta da incisão fique protegida naturalmente contra geadas e os raios solares, e também para que se evite lascar o ramo podado.Quando se utilizam ferramentas novas, ou sempre que forem amoladas (afiadas), é preciso retirar as limalhas para deixá-las limpas.

Questão Safrinha  

Trata-se da típica safra de interesse das indústrias, devido à renovação dos estoques da erva -mate e uso da mão-de-obra da indústria na entre-safra. Consiste em efetuar-se a colheita no verão (geralmente em janeiro), no auge do crescimento da erveira. Normalmente, a planta recupera-se bem. O produto obtido é mais fraco, com folhas pouco espessas e com muita água (o rendimento em peso cai muito).

Os principais riscos para planta são as geadas precoces e a insolação. Nos dois casos, ocorre rachadura de casca, ressecamento de galhos e tronco, além da morte da brotação. Inclusive, pode ocorrer a morte da árvore, nos casos mais graves. Assim, a decisão é muito particular. Ela não é recomendada do ponto de vista técnico.

 

Produtividade e Rendimento

O rendimento varia conforme o solo, a região, a idade da planta e, principalmente, conforme as técnicas de manejo do erval. Nos ervais plantados, a erveira adulta atinge mais de 4 metros de altura e um diametro máximo de copa de 3 metros. Isso contribui com um alto rendimento ao corte.A produtividade média das árvores estabiliza-se aos 10-12 anos, sendo a média em torno de 15  a 20 quilos (uma arroba) por ávore. Erveiras nativas de maior porte, chegam a dar de 80 a 180 quilos (6 a 12 arrobas) de matéria verde por árvore, em podas a cada 3 anos. O rendimento em erva-seca é ao redor de 30% da colheita da erva verde.

 

Ferramentas usadas nas Podas

Para escolher a melhor ferramenta de poda, deve-se ter preocupação com a estrutura da erveira e com a produtividade dos anos seguintes. A rapidez do serviço do podador é o menos importante. Todas as vezes que forem usadas ferramentas novas ou que tenham sido amoladas (afiadas), deve ser utilizado óleo vegetal para retirar as limalhas. As ferramentas de poda precisam estar bem afiadas antes de serem usadas. O facão é mais usado, empregando-se de baixo para cima, para cortar os galhos. A tesoura de poda, apesar de ser mais lenta, é a ideal na poda de formação. Nas erveiras altas, pode-se usar o podão.

 

Beneficiamento da Erva Mate

O beneficiamento da erva-mate compreende duas partes bem distintas - o ciclo de cancheamento e o ciclo da industrialização – executados respectivamente pelo produtor e pela indústria.

Cancheamento

Envolve os processos de limpeza do erval, aliado ao corte, sapeco, secagem,  malhação e moagem realizados na erva-mate que constituem o primeiro ciclo do preparo da erva. O produto resultante deste processo é a erva cancheada. O processo mecânico de cancheamento da erva-mate possui vantagens em relação a outros processos:

1. A erva preparada mecanicamente não sofre o sapeco manual (uma operação penosa, geralmente executada com irregularidade).

2. Por ocasião da sapecagem manual, muitos ramos finos enfolhados são perdidos, porque não podem ser expostos às labaredas. Ao passo que no sapeco mecânico, a erva é inteiramente aproveitada, pois o processo exige mesmo material fino (isto é, ramos destacados das últimas ramificações).

3. O sabor e o aroma da fumaça que caracterizam a erva de carijo, e menos acentuadamente a de barbaquás, não são percebidos no produto elaborado mecanicamente.

4. O consumo de lenha, tanto no barbaquá quanto no carijo, é muito maior que quando se emprega o método mecânico para preparar a erva cancheada.

5. A elaboração mecânica é feita ao abrigo das chuvas, ao passo que o preparo manual, feito em parte ao ar livre, depende das condições do tempo.

6. O processo mecânico é mais higiênico, pois se processa ao abrigo do pó e praticamente sem contato manual.

7. A rapidez do processo é uma grande vantagem. Enquanto a sapecagem e a trituração nos cilindros movidos à máquina podem demorar cerca de 10 minutos, no preparo manual a duração é, pelo menos, de 10 horas (considerando o sapeco ao ar livre, a secagem no carijo ou no barbaquá e a trituração na cancha).

8. A erva preparada mecanicamente se apresenta bem uniforme, limpa, sem gosto de fumaça, de excelente aspecto e qualidade. Enfim, um produto capaz de ser exportado mesmo para os países mais exigentes.

 

Redação Ambiente Brasil



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