Ambiente Florestal

Exemplos Práticos

Sistemas Agroflorestais no Semi-Árido Brasileiro (RIBASKI e LIMA, 1992), Sistemas Silvipastoris no Estado de Minas Gerais (ALMEIDA,1991), Sistemas Agrossilviculturais do Sudeste da Bahia (GOMES, 1992), Árvores em Pastagens.

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Sistemas Agroflorestais no Semi-Árido Brasileiro

Abrangendo os estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia, foram testadas mais de 25 espécies e 160 procedências de eucalipto. Analisando os plantios experimentais, nas condições semi-áridas, pode-se constatar que as espécies E. camaldulensis e E. tereticornis se destacam das demais, com um rendimento médio de 70 m3/ha, aos sete anos de idade, o que corresponde a uma produtividade quatro vezes maior que a da vegetação nativa. Destacam-se também nesta região, pelo bom desempenho, as espécies dos gêneros Prosopis (algaroba), Leucaena (leucena), Mimosa (sabiá) e Gliciridia (glicirídia), com uma grande vantagem sobre as outras por serem árvores de múltiplo uso (lenha, carvão, estacas, forragem, cercas-vivas, quebra-ventos, fixação de nitrogênio, sombreamento, etc.).

 

Sistemas Silvipastoris no Estado de Minas Gerais

Os trabalhos foram desenvolvidos em duas regiões bem distintas (Sudeste e Norte) do Estado de Minas Gerais. O primeiro experimento foi conduzido na região Sudeste, sub-região do vale do Rio Doce, onde extensas áreas de reflorestamento com eucaliptos apresentam um grande potencial forrageiro para a alimentação de bovinos. O sub-bosque é composto na sua maioria pelo capim-colonião (Panicum maximum), gramínea que apresenta um crescimento exuberante sob as árvores de eucaliptos.

A pesquisa iniciada em dezembro de 1986 foi desenvolvida em área pertencente à Cia. Agrícola e Florestal Santa Bárbara, no município de Dionísio, Minas Gerais e teve a duração de 24 meses.

A área experimental envolveu 15 hectares de reflorestamento em Eucalyptus citriodora no espaçamento de 3 x 2 , sob uma precipitação média anual de 1.250 mm e situada num relevo em altitude variando de 200 a 900 m. Os solos dominantes são caracterizados como ferralsolos, órticos, acrissolos órticos, luvissolos férricos e nitossolos eutricos. O plantio de Eucalyptus foi efetuado em dezembro de 1986 e a adubação consistiu na aplicação de 140 gramas de NPK (6-28-60 acrescido de boro e zinco) por cova.

Os seis tratamentos estudados constituíram de: pastejo do sub-bosque realizado por 9 bezerros, por 6 bezerros, por 9 bezerros e 10 ovelhas, por 6 bezerros e 10 ovelhas, por 10 bezerros, e a testemunha (em áreas de exclusão, a 1.200 metros, recebendo tratos culturais normais da empresa). Os bezerros utilizados no experimento tinham o peso inicial médio de 180 kg e o peso médio dos ovinos era de 33 Kg.

A coleta de dados foi feita através de observações para o desenvolvimento do Eucalyptus aos 6, 12, 18 e aos 24 meses de idade, em respeito à altura, ao DAP e à sobrevivência.

Resultados:

a. A consorciação de bovinos e ovinos com Eucalyptus propicia redução de 52 a 93% do custo de implantação e de manutenção dos povoamentos florestais.

b. Nos primeiros 24 meses de vida do povoamento florestal, a adoção de qualquer um dos sistemas (pastejo de ovinos e/ou bovinos) não afetou o desenvolvimento da espécie florestal, no que diz respeito ao incremento em altura e DAP.

c. A compactação do solo é influenciada pela carga animal, porém seu efeito só é percebido nas camadas superficiais do solo.

d. Houve um aumento considerável na taxa de mortalidade dos formigueiros de Acromyrmex nas parcelas pastejadas.

 

Sistemas Agrossilviculturais do Sudeste da Bahia

No sudoeste da Bahia, região tropical úmida, há vários sistemas agroflorestais em desenvolvimento, dentre os quais o sistema cacau cultivado sob espécies remanescentes da Floresta Atlântica regional é o de maior importância agronômica, sócio-econômica e ecológica. Outros sistemas multiculturais de destaque envolvem as culturas da seringueira, banana e café, além de pasto, bem como cultivos de macadâmia, pupunha, pimenta-do-reino, cravo, citros e cultivos de ciclo curto.

Sistemas em larga escala:

  • Cacau sob sombra de mata raleada ou capoeira.
  • Cacaueiro sob sombra de eritrina.
  • Os cacaueiros jovens recebem o sombreamento provisório de mandioca (Manihot esculenta) seguido pela banana prata (Musa sapientum) enquanto as árvores de sombra definitiva, eritrina (Erythrina fusca), crescem.
  • Cacaueiro sob sombra de seringueira - consiste no plantio de fileiras simples (476 plantas/ha) ou duplas (952 plantas/ha) de cacaueiros (3 x 3m) nas entrelinhas das seringueiras (7 x 3m) adultas e/ou com copas bem desenvolvidas. As informações obtidas em várias propriedades no Sul da Bahia, mostram que em média, as produções das propriedades com consórcio foram superiores em até 145% em relação aos monocultivos de cacau e seringueira.
  • Cacaueiro sob sombra de seringueiras.
  • Dendezeiro e pecuária.

Sistemas em pequena escala:

  • Consórcio com seringueira – maracujá, mamão, pimenta-do-reino, café, banana, cultivos anuais.
  • Consórcios com macadâmia (Macadamia integrifolia).
  • Consórcio com cravo-da-índia (Syzigium aromaticum).

No geral, a análise dos diversos sistemas agroflorestais praticados pelos agricultores, revela uma série de vantagens sobre os sistemas monoculturais, dentre as quais:

  • Maiores lucros por unidade de superfície cultivada.
  • Uso diversificado mais racional dos fatores espaço e luz.
  • Mecanismos biológicos interativos como fixação simbiótica de Nitrogênio atmosférico por leguminosas consortes.
  • Fluxo de caixa mais favorável devido às receitas obtidas com as culturas intercalares de ciclo curto, antecipando, dessa forma, o ponto de nivelamento econômico dos cultivos permanentes.

 

Árvores em Pastagens 

No Brasil, a possibilidade de associar a criação animal com a floresta também é conhecida. Na caatinga, e mesmo no cerrado, a presença da vegetação arbórea e arbustiva é importante na proteção e alimentação animal, especialmente em épocas mais críticas de seca.

No sul do País e nas regiões tropicais, a presença eventual de bosques degradados junto às pastagens serve, principalmente, para amenizar os efeitos do clima sobre os animais, embora sempre ofereçam algum tipo de alimento e outros produtos florestais.

Vantagens da arborização das pastagens:

Benefícios aos animais - as árvores reduzem os extremos climáticos. A insolação excessiva e o frio comprometem o crescimento dos animais, a produção do leite, a sua saúde e até a fertilidade. O desconforto térmico obriga os animais a buscar sombra nas horas muito quentes enquanto que freqüentemente são relatadas mortes com a ocorrência de geadas. O abrigo contra o impacto de chuvas e ventos fortes é igualmente importante na conservação de energia dos animais. Nesse sentido, é fundamental que as árvores estejam com suas folhas, na estação em que há estes extremos. Quanto à nutrição, espécies adequadas podem fornecer forragem ou frutos, complementando o pastoreio na dieta dos animais.

Benefícios ecológicos - o microclima é amenizado pela presença de árvores e pela redução dos extremos de temperatura e do vento, mantendo mais elevada a umidade do ar e do solo, podendo beneficiar o crescimento e a qualidade do pasto principalmente debaixo das árvores. Quanto aos solos, as copas das árvores reduzem o impacto das chuvas sobre o terreno e o escoamento superficial das águas. A reciclagem de nutrientes das camadas mais profundas e a deposição constante de matéria orgânica melhora não só a qualidade do solo, mas a do pasto. Ao produzirem abrigo e alimento para as aves e outros animais, as árvores contribuem para o equilíbrio ecológico, principalmente nos sistemas de bosques e faixas de vegetação nativa. A presença de uma cadeia alimentar mais complexa pode reduzir a presença de pragas das pastagens e parasitas do gado.

Benefícios sociais - o embelezamento da paisagem valoriza a propriedade, aumentando a demanda por mão-de-obra, tanto no meio rural quanto nas comunidades. A diversificação da produção propicia maiores oportunidades no meio rural. Além da madeira e da lenha, as árvores podem oferecer frutos, produtos medicinais e ornamentais.

Como arborizar pastagens?

A técnica mais recomendável para integrar o componente arbóreo com a criação animal é adaptar a vegetação nativa, deixando áreas significativas de bosquetes ou faixas de vegetação intercaladas com o pasto. Outra opção é ralear a mata (se houver), deixando as árvores mais interessantes nos aspectos ambiental e produtivo.

Bosquetes - Com espécies de rápido crescimento, adubação ou tratos culturais adequados. Normalmente um bosquete está pronto para ser utilizado em 2 ou 3 anos; neste sistema, o espaçamento inicial entre árvores é apertado (3 a 4 metros) e a área deve ter pelo menos 1 hectare. Com o manejo adequado, obtêm-se lenha, madeira e refúgio para o pasto.

Arborização - O pasto se desenvolverá normalmente com a presença de árvores bem espaçadas dentro da pastagem. O número de árvores mais adequado dependerá da espécie (principalmente da forma da copa). É preciso utilizar mudas típicas de uso em arborização urbana (acima de 2,0 m de altura) e protegidas dos animais.

Cortinas Quebra-Ventos - Árvores plantadas linearmente, em direção perpendicular aos ventos dominantes. Para atingir o objetivo, é preciso atender requisitos como seleção de espécies, arranjo, distância.

Cercas Vivas - A substituição de cercas e palanques por árvores úteis, madeireiras ou frutíferas, transforma as divisórias em permanentes e produtivas. Normalmente, são utilizadas espécies que se propagam por estacas grandes e que rebrotam.

Banco de Proteínas - São plantios densos de leguminosas arbustivas ou arbóreas, com alta capacidade de fixação de Nitrogênio e rebrota, para complementar a dieta dos animais. A massa verde pode ser cortada periodicamente (2 a 4 vezes por ano).

 

Redação Ambiente Brasil



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