Ambiente Ecoturismo

Januária - MG

Com o charme mineiro e um 'q' de interior, Januária está localizada ao norte do Estado de Minas Gerais e às margens do rio São Francisco. A cidade de clima quente foi imortalizada por Guimarães Rosa, no clássico da literatura brasileira, "Grande Sertão: Veredas". Na obra, traduzida para mais de dez idiomas, o município é citado 17 vezes pelo escritor mineiro.

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A região é repleta de grutas, parques, praias de água doce, cachoeiras e tem o único pântano do estado. Desta forma, a mãe-natureza criou o palco perfeito para a prática de ecoturismo e turismo de aventura no município. Januária é uma cidade tipicamente brasileira pois sua base cultural é composta por influências portuguesas, negras e indígenas.

 

História e Cultura

A história da cidade começou no período colonial, em 1553, quando o governador-geral Duarte da Costa mandou uma expedição verificar a existência de ouro na região. Deste ano até 1670, bandeirantes como Fernão Dias, Manoel de Borba Gato e Castelo Branco passaram pela região. O último, Manoel Pires Maciel Parente derrotou a franca resistência dos índios caiapós e fundou o povoado de Brejo do Salgado, denominado assim por conta das águas salobres da região. O povoado progrediu, prosperou e começou a ser chamado de Porto do Salgado. Em 1833, Brejo do Salgado se tornou uma vila e, em homenagem à padroeira da região, recebeu o nome de Brejo do Amparo. No entanto, a sede do vilarejo foi transferida para Porto Salgado, que em homenagem à princesa Janúria, filha de D. Pedro I, adotou o nome da alteza. Em 7 de outubro de 1860, a localidade é elevada à categoria de cidade. Há mais duas explicações para o nome da cidade. A primeira é sobre a escrava Januária que fugiu do cativeiro e se instalou na margem esquerda do rio São Francisco. A fugitiva fundou na localidade o primeiro comércio entre barqueiros do São Francisco e tropeiros do sertão. A segunda é que o nome Januária é uma homenagem a Januário Cardoso de Almeida. Segundo os anais da cidade, o bandeirante teve uma atuação forte na região. A cultura do município tem influência portuguesa, negra e indígena, em que o artesanato ribeirinho com barro, madeira e fibras, os reisados, as festas juninas e as cavalhadas do Brejo do Amparo se destacam.

 

Clima

É tropical com transição para semi-árido. A temperatura máxima atinge 38º C, a mínima 12,6º C e a média anual é de 26, 30º C. As chuvas são escassas e concentradas no verão. Elas acontecem de outubro a fevereiro e às vezes vão até março.

 

Vegetação e relevo

Graças à deficiência de água no solo e ao forte calor, a vegetação de Januária é xeromorfa, ou seja, tem formas adaptadas à seca, e é composta por cerrado, matas secas, caatinga e veredas cobertas de buritis. A última é uma palmeira-leque cujo o fruto é uma noz amarela muito usada na indústria de cosméticos. Outras espécies típicas da região estão aroeira, tinguí, murici, pequizeiros, jatobá, araticum e a mais imponente árvore da região é a embaré, também chamada de barriguda.

A cidade tem topografia plana com leves ondulações, uma característica típica do norte e nordeste de Minas Gerais. O subsolo da região é composto por rochas sedimentares do grupo bambuí, arcóseos, siltitos, calcáreos e dolomitos, em partes revestido por sedimentos mais recentes, arenitos, conglomerados, da formação urucuia e também por uma cobertura de detrítico-laterífica. A área territorial de Januária é de 6.691,17 Km2. A altitude máxima é de 794 m, no Morro do Itapiraçaba, e mínima, 444 m, na Foz do Rio Peruaçu.

 

Alimentação

Além da tradicional culinária mineira, há:

  angu com quiabo;

  arroz com pequi;

  cachaças e licores artesanais;

  carne de sol;

  derivados do polvilho: pão-de-queijo, petas, escaldados, ginetes, fofão e beijus;

  doces de banana, buriti, caju, cajuí, goiaba, laranja, leite, limão, maracujá, umbu, entre outros;

  feijão tropeiro com torresmo;

  frango caipira;

  frutas típicas da são umbu, pinha, coquinho, cajuí, cabeça-de-nego (panã ou araticum), buriti e jenipapo.

  com milho se faz o cuscuz, pamonha, farinha de milho, angu e canjica;

  moquecas de surubim;

  paçocas;

  picado de arroz dourado assado;

  pratos tradicionais feitos com peixes ro rio São Francisco;

  e o puba, uma mandioca enterrada posta na água para fermentar, é usada para fazer bolos.

 

Hospedagem

Hotéis, chalés e pousadas.

 

Dicas gerais

A melhor época para praticar esportes a motor off-Road é de abril a outubro, pois durante este período, há poucas chuvas. A melhor época para aproveitar as praias é de junho a agosto, no entanto elas podem ser visitadas até o mês de outubro, antes das chuvas. Na margem oposta a área urbana da cidade, há praias desertas. Alugue um caiaque, barco ou canoa e vá conhecer estas localidades. Cuidado com a insolação, pois ela é uma característica forte da região.

 

Atrações

Área de Proteção Ambiental Cavernas do Peruaçu: Em 10 km2 de seus 120 hectares, a APA tem 150 cavernas, das quais 80 estão catalogadas. Atualmente, é um dos maiores complexos arqueológicos do mundo, com mais de 10 mil anos de história.

No local, há 95 sítios arqueológicos, onde se encontraram inscrições rupestres, utensílios conservados pelo tempo, estalactites, estalagmites e múmias com mais de mil anos de idade. Entre as cavernas, a considerada um do patrimônio da região é a Lapa do Malhador. A área da APA coincide com a do Parque Estadual Veredas do Peruaçu.

Banho no Rio Pandeiros: O rio tem trechos de no máximo 1 metro de profundidade, o que torna possível atravessá-lo de um lado a outro, e durante todo o seu percurso surgem diversas pequenas ilhas. O Pandeiros é rodeado pelo cerrado, exceto uma área de 30 km².

Quando o rio perde o seu curso normal e se espalha por várzeas, lagos e pequenos afluentes, forma um grande pantanal. Nesse período a área, apresenta uma enorme quantidade de peixes, aves, jacarés e cobras. Na época das secas, a cor da água é verde-claro transparente e a temperatura fica em torno do 22º C. O Pandeiros nasce e deságua no município.

No povoado de Pandeiros, após a ponte, o rio se transforma em uma cachoeira de aproximadamente 3 metros de altura e 15 metros de largura, onde em sua base se forma um grande pólo, ladeado por pequenas praias.

Canoagem: As canoas e os ducks (caiaques infláveis) botam para quebrar no rio São Francisco. A cidade tem diversos acessos ao rio e os principais são o cais do município, também conhecido com a praia do rio São Francisco, e o povoado das Moradeiras.

Cavalgada: Ela é feita ao redor da cidade. Num raio de 6 quilômetros, os turistas podem visitar engenhos de rapadura, alambiques, o antigo povoado do Brejo do Amparo, local de origem do município, e a Igreja do Rosário, uma construção jesuíta datada de 1688 e hoje desativada.

Escalada em rocha e escalada esportiva: Januária tem algumas localidades com paredões de calcário que medem mais de cem metros de altura. O município é rodeado por uma extensa borda cárstica com vias naturais para escalada.

Os "picos" para a atividade são os povoados de Lapão e Barreiro, ambos a aproximadamente 8 quilômetros de Januária. No entanto há outros locais propícios para a prática.

Gruta do Janelão: Por se localizar em uma propriedade particular, é preciso autorização para visitação, o acompanhamento de guias e o uso de equipamentos adequados. Mas tirando a burocracia acima a caverna tem pinturas rupestres espalhadas por um paredão de dez metros, onde se destacam cores fortes e marcantes.

A dolina do Janelão proporciona uma visão panorâmica de toda a entrada da gruta e as suas duas primeiras clarabóias se encontram nos 3,5 quilômetros de extensão. Além disso, o turista pode se deparar com o rio Peruaçu - que percorre toda área interna da gruta - , árvores de grande porte sob as clarabóias e estalagmites, estalactites e outras formações rochosas.

A caverna é cercada por árvores de até 60 metros de altura e pode ser avistada a 10 quilômetros de distância. Para chegar até a gruta do Janelão, é preciso fazer um percurso de aproximadamente 1,5 quilômetro a pé entre a vegetação local e pequenos canyons formados por paredões de pedras.

Além das grutas dos Caboclos e da do Janelão, a espeleologia e o caving podem ser praticados nas cavernas dos Anjos e a do Tatu, a, respectivamente, 6 e 12 quilômetros da cidade.

Gruta dos Caboclos: A grande atração da caverna está no seu exterior. Na entrada, pode-se observar um grande painel de pinturas rupestres de aproximadamente 10 metros de comprimento por 4 metros de altura, com cores fortes e desenhos geométricos e assimétricos.

Acredita-se que essas imagens tenham aproximadamente 11 mil anos. A entrada da gruta dos Caboclos mede cerca de 30 metros de largura e 20 metros de altura e a sua área é de aproximadamente 100 m2. Sua formação é calcária, no entanto, há pequenas quantidades de estalactites e de outras formações rochosas.

O acesso ao local é fácil, exceto nos últimos 3 quilômetros que devem ser percorridos em caminhonetes e carros de suspensão alta. A vegetação ao redor é rica e concentra uma grande quantidade de pássaros.

Para conhecer a caverna, guias devem acompanhar os visitantes e equipamentos apropriados precisam ser usados. As pinturas e as formações rochosas tornaram a gruta dos Caboclos um sítio para pesquisadores brasileiros e estrangeiros. A caverna está localizada no distrito de Levinópolis e, nela, a espeleologia e o caving podem ser praticados.

MotoCross, Supercross, Enduro e Off-road: Às margens do rio São Francisco são praticados passeios de moto ou em veículos off-road. A região é permeada por trilhas que cruzam os arredores de Januária, Brejo do Amparo, Pandeiros e outras localidades. Além disso, há clubes e grupos que praticam estes esportes regularmente.

Mountain Bike: Os amantes da magrela podem ficar contentes, pois poderão pedalar em trilhas antes usada para transporte da produção agrícola e abertas por carros de boi ou tropas de animais. As pedaladas geralmente são realizadas em Brejo do Amparo e Barreiro, ambas a 10 quilômetros de distância da cidade.

Parque Estadual Veredas do Peruaçu: O parque tem flora e fauna ricas e a sua área total corresponde a 380.000 hectares. Mais de 250 pássaros estão catalogados na área, entre eles a maritaca, o quem-quem e aves da região, como o sebinho de fronte vermelha, a maria-preta e o arapaçu do rio São Francisco.

O Veredas do Peruaçu abriga também a jaguatirica, o veado-mateiro, o mico-estrela e algumas espécies ameaçadas de extinção, como o lobo-guará, o gavião-pega-macaco, zabelê e o tamanduá-bandeira.

O parque tem três tipos de vegetação a caatinga, o cerrado e a floresta. As principais espécies presentes são a aroeira do sertão, a braúna, o pau-preto e muitas plantas medicinais.

Outras atrações são o balneário e o pântano do rio Pandeiros. O primeiro é o único pântano de Minas Gerais e se encontra e pleno cerrado. O segundo é aberto a visitação pública e tem três cachoeiras, corredeiras e outros locais para banhistas.

O Parque Estadual Veredas do Peruaçu foi criado em 27 de setembro de 1994 e a sua área coincidente com a da Área de Proteção Ambiental Cavernas do Peruaçu.

Atualmente, a área está fechada para visitações. A previsão para a reabertura é entre o final de 2006 e o início de 2007.

Pesca: Apesar de ser uma atividade econômica para a cidade, existe um clube voltado à pesca esportiva e barcos podem ser locados para a atividade.

Praia do Clube Carcará: O rio tem aproximadamente 8 metros de profundidade, 400 metros de largura e 1 quilômetro de comprimento. Durante a seca, o Carcará fica baixo, a água se torna verde-clara e a temperatura aquática varia em torno dos 22º C.

A atração é cercada pelo cerrado e tem uma grande quantidade de pássaros. A pesca é uma atividade que pode ser realizada em toda a extensão do rio. A Praia do Clube Carcará faz parte de um terreno particular.

Rafting: Não é muito praticado na região, mas existem dois rios que têm corredeiras boas para a atividade, o Carinhanha e o Pandeiros. Geralmente a descida dura três horas.

Rapel: A descida mais procurada é o rapel ao pôr-do-sol no rio São Francisco, que ocorre na ponte que liga a cidade de Pedra de Maria da Cuz à Januária. No entanto, há mais três opções:

Barreiro a 8 quilômetros de Januária;

Cachoeira de Pandeiros a 50 quilômetros de Januária;

Lajedo (Cônego Marinho) a 26 quilômetros de Januária;

Rio São Francisco: Há embarcações para fazer passeios pelo rio. As praias de água doce se encontram à esquerda e à direita do São Francisco e têm boa infra-estrutura para atender o turista. Pelos tupis, o rio era chamado de Opará, ou seja, o rio do mar. Os bandeirantes o batizaram como São Francisco para homenagear o santo padroeiro da ecologia.

Tirolesa no Rio Pandeiros: O melhor lugar para se praticar o esporte é entre a segunda e a terceira cachoeira do rio Pandeiros, a 50 quilômetros da cidade. Os moradores aconselham os visitantes a conciliar a prática a um pequeno rapel e que a aterrissagem seja feita no leito do rio. Para chegar ao local, há uma trilha às margens do rio Pandeiros.

Trekking no Brejo do Amparo: O point da atividade em Januária é o Brejo do Amparo, onde os turistas também costumam visitar os alambiques e a Igreja do Rosário.

 

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