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A quarentena pós-entrada de germoplasma vegetal: serviço pouco conhecido e estratégico para o Brasil

Chama-se quarentena de pós-entrada de germoplasma vegetal ao exame a que é submetido todo o material vegetal introduzido com finalidade de pesquisa no Brasil. Nesse exame, busca-se determinar se o material analisado contem alguma praga que ainda não ocorra no país.

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Chama-se quarentena de pós-entrada de germoplasma vegetal ao exame a que é submetido todo o material vegetal introduzido com finalidade de pesquisa no Brasil. Nesse exame, busca-se determinar se o material analisado contem alguma praga que ainda não ocorra no país. Deve-se lembrar que “praga”, na conceituação mais recente da FAO deve ser entendida como “qualquer espécie, raça ou biótipo vegetal ou animal ou agente patogênico daninho para as plantas ou produtos vegetais”. Dentre as “pragas” incluem-se: insetos, bactérias, fungos, vírus, viróides, ácaros, nematóides, plantas daninhas, etc. “

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As pragas que ainda não existem no país são denominadas “quarentenárias” e o objetivo principal da quarentena de pós-entrada é, exatamente, detectar a presença e impedir a entrada no Brasil desse tipo de praga.

A importação de materiais vegetais é necessária para que os pesquisadores possam ampliar a base genética dos recursos genéticos a utilizar no desenvolvimento de novas cultivares ou variedades. É importante lembrar que, embora sejam de origem brasileira, várias espécies de interesse social e econômico, como a mandioca, o abacaxi, o guaraná, o cacau, a seringueira, não são os alimentos que constituem a base da alimentação da população brasileira, como arroz, feijão, milho, trigo, batata. Também não são de autóctones as principais frutas consumidas no país, como banana, laranja, mamão, maçã, nem as hortaliças, como o tomate, alface, couve, repolho. Da mesma forma, provêm de germoplasma importado as principais culturas impulsionadoras do agronegócio nacional, como soja, café, laranja, algodão, cana-de-açúcar. E isso só para mencionar os vegetais.

Assim, é muito fácil perceber que, para efetuar, no país, o desenvolvimento de materiais genéticos mais produtivos e com características importantes para o agronegócio brasileiro e mundial, faz-se necessário importar materiais genéticos (germoplasma) de diversas procedências, principalmente dos respectivos centros de origem ou de diversificação.

No Brasil, a quarentena de pós-entrada de germoplasma vegetal é efetuada por uma equipe de fitossanitaristas e entomologistas da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Há mais de 26 anos esta Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) situada em Brasília (DF) vem realizando tais atividades, por delegação e em estreito relacionamento com a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia efetua a quarentena pós-entrada de todo o material introduzido no país por qualquer instituição de pesquisa e desenvolvimento, pública ou privada

No ano de 2002 foram analisados 33.444 acessos de germoplasma vegetal, quanto à presença de insetos, ácaros, bactérias, fungos, nematóides, vírus, viróides e fitoplasmas. Os produtos introduzidos em maior quantidade foram: sementes de milho, soja, algodão, trigo, melão, arroz e plântulas de banana. As principais origens de remessa de materiais vegetais foram: Estados Unidos, México, Colômbia, Holanda e Argentina.

Outra importante contribuição dos pesquisadores do Laboratório de Quarentena Vegetal da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia é a publicação de artigos, boletins e livros relacionados com as pragas quarentenárias. No momento, estão disponíveis para consulta e impressão gratuita, 06 Comunicados Técnicos e um livro, no sítio eletrônico www.cenargen.embrapa.br/publica/download.html.

Cada Comunicado Técnico é uma “ficha quarentenária” de pragas de interesse econômico: um trata de uma bactéria, outro de um inseto, dois de vírus, um de viróide e outro de um fitoplasma. O livro, de autoria das pesquisadoras Maria de Fátima Batista e Vera Lúcia Marinho, trata dos “vírus e viróides transmitidos por sementes” e faz uma extensa revisão dessas pragas em 109 espécies vegetais, incluindo as de maior importância econômica e de maior intercâmbio.

Assim, ao completar 26 anos de realização da quarentena vegetal no Brasil, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia continua contribuindo para a segurança biológica dos agroecossistemas brasileiros e para a sustentabilidade do agronegócio nacional.

 

José Manuel Cabral de Sousa Dias Chefe Adjunto de Comunicação e Negócios Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia cabral@cenargen.embrapa.br



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