Ambiente Arquitetura

Telhados verdes podem refrescar Cidades

Cobrir os prédios da cidade com vegetação, criando telhados e paredes verdes, pode substancialmente economizar energia por reduzir a necessidade de ar condicionado, dizem os pesquisadores.

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Seu estudo sugere que telhados e paredes verdes podem refrescar a temperatura do local entre 3,6°C e11, 3°C dependendo da cidade. Eleftheria Alexandri e Phil Jones da escola de Arquitetura da Universidade de Cardiff do Reino Unido reproduziram o micro clima em volta e dentro dos edifícios utilizando um modelo computadorizado. Foi feita uma comparação entre edifícios de concreto comparados com concreto coberto com vegetação. Estas superfícies verdes já vêm sendo utilizadas com coberturas de musgos, gramados e até mesmo arbustos e arvores. Na Suíça o número de telhados cobertos com plantas dos Alpes que requerem pouco solo está se tornando comuns.
 
Queda de temperatura.
Os pesquisadores compararam efeitos das superfícies verdes em nove cidades mundiais, incluindo a subártica Montreal, Londres, a úmida Mombai e Brasília. Em todos os casos, eles estudaram o mês de temperaturas mais quentes. Eles constataram que as paredes e telhados verdes refrescariam o clima local em todas as cidades e quanto mais quente o clima maior o efeito. Se, por exemplo, um grupo de edifícios em Riad, na Arábia Saudita, estiver envolto em vegetação, a diferença entre prédios seria de 9,1°C mais fresca durante o dia, de acordo com o modelo dos pesquisadores. O pico da diferença seria de 11.3°C a menos. Em Londres e Montreal, o pico da diferença seria de 4°C a menos. Revestir de verde apenas as paredes, e não os telhados resultariam em efeitos menores. As temperaturas máximas em Londres e Montreal, por exemplo, cairiam entre 2,5°C e 3°C. As superfícies verdes baixam a temperatura de duas maneiras. Primeiro, absorvem menos calor do sol. Superfícies quentes esquentam o ar em volta delas de maneira que se refrescarmos a superfície, a vegetação também afeta a temperatura do ar. Em segundo, as plantas também refrescam o ar por evaporar o ar num processo chamado evapotranspiração.

Baixando a demanda
A medida que as cidades são revestidas de concreto e pavimentos, perdem o efeito refrescante da vegetação. Isto gera o que conhecemos por “efeito ilha de calor urbano”. Alexandri e Jones dizem que os resultados da pesquisa sugerem que o efeito ilha de calor urbano pode ser contornado pela introdução de telhados verdes nas cidades. Eles indicam que, alem de tornar as cidades mais confortáveis e saudáveis para viver, os telhados verdes podem também reduzir significativamente a demanda por eletricidade, gerada por combustíveis fósseis e então contribuindo para o aquecimento global. Nos últimos anos, a Europa e América do Norte têm sido atingidas por severas ondas de calor, cujo efeito se faz sentir mais nas cidades. Imagina-se que em 2003, uma onda de calor na Europa tenha causado a morte de 35000 pessoas. E centenas morreram este ano na Europa do Leste. A pesquisa mostra que a freqüência de dias extremamente quentes triplicou desde 1880.

Eliminando ar-condicionado

“Alem de adicionar uma camada de isolamento no prédio, as superfícies verdes podem reduzir a demanda por ar condicionado dentro dos prédios,” diz Jones. Em Brasília e Hong Kong, ele e Alexandri constataram que a necessidade de ar condicionado de um prédio é eliminada durante o mês mais quente do ano se for utilizado telhados e paredes verdes. Os prédios nestas cidades normalmente precisam de ar condicionado a tarde e no começo da noite. Em cidades mais quentes, como Riad, o numero de horas de ar condicionado seria cortado de 12 pra 5 horas. Alguns sistemas de ar condicionado ainda usam químicos que prejudicam a camada de ozônio e a demanda por condicionadores de ar tende a crescer com a tendência de aquecimento global, então telhados verdes podem ajudar a conter esta demanda.

Mais verde nas coberturas
Para sensibilizar a sociedade e exigir do poder público a implantação de legislação federal que regulamente a utilização dos telhados verdes, foi fundada a Associação Telhado Verde Brasil, tendo como diretor o engenheiro João Manuel Linck Feijó, da Ecotelhados. Por enquanto, somente o estado de Santa Catarina dispõe de lei que define a criação do Programa Estadual de Incentivo à Adoção de Telhados Verdes em espaços urbanos densamente povoados, em que a implantação de sistemas vegetados não pode ser inferior a 40% da área total do imóvel. Em âmbito municipal, a Secretaria do Meio Ambiente de Porto Alegre defende a destinação de uma porcentagem da área total dos terrenos para vegetação sem elemento construtivo permeável. Em Curitiba ainda não existe uma lei que mencione as coberturas vegetadas, mas são comuns as reduções parciais de IPTU para imóveis com áreas verdes. Exemplo da importância dos telhados verdes é o fato de em algumas regiões dos Estados Unidos ser obrigatória a execução de coberturas com alto índice de refletância.

Em Nova York, a municipalidade oferece estímulos para as construtoras que implantarem telhados verdes em pelo menos 50% de suas obras e ainda prevê desconto no imposto predial desses imóveis. “O que propomos para associações é a criação de um espaço vivo dentro das cidades, ou seja, precisamos pagar um tributo à natureza, devolver-lhe aquilo que dela foi retirado”, conclui Feijó. O Green Building Council, em atividade no Brasil desde 2007, realizou uma campanha incentivando o uso dos telhados brancos e verdes. “Fizemos sucessivos seminários e palestras para mais de 10 mil pessoas, em sua maioria da área da construção civil e do setor imobiliário”, conta Nelson Kawakami. Agora a entidade desenvolve a campanha One Degree Less (Um Grau a Menos), com filmes veiculados em várias mídias, como televisão, internet e cinema. “É uma campanha de ordem educativa no sentido de conscientizar a sociedade sobre a importância de adotar os telhados verdes e contribuir, assim, para o desaquecimento de nossas cidades”, finaliza Kawakami.

Jornal Building and Environment e Revista FINESTRA



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