Ambiente Arquitetura

O Brasil ainda não possui um método de avaliação do desempenho ambiental de edificações

O Brasil ainda não possui um método próprio, em contraposição à quase totalidade dos países europeus, além dos Estados Unidos, do Canadá, da China, do Japão e da Austrália.

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A indústria da construção civil é um setor que tem grande responsabilidade quanto aos impactos ambientais e aos danos ao meio ambiente, em virtude da elevada extração de recursos naturais não-renováveis e dos descartes dos resíduos, dentre outras atividades.

Contudo, na última década, essa indústria, sobretudo pelos arquitetos, está sendo paulatinamente estimulada a buscar reformulações em suas atividades de concepção e desenvolvimento projetual. Essas reformulações estão diretamente relacionadas ao modo de conceber, construir e utilizar as edificações de maneira sustentável, fazendo uso do estabelecimento de padrões de qualidade ambiental e humana e da introdução de novas tecnologias de menor impacto e que possam ser desmontadas para aumentar a vida útil dos componentes.    

Nesse contexto, no qual os arquitetos buscam uma maior compatibilidade entre os ambientes natural e artificial, sem comprometer, no entanto, os requisitos funcionais e estéticos das edificações, bem como a viabilidade econômica dos empreendimentos; surgiu a necessidade de mensurar a sustentabilidade ambiental das edificações.

Resumo das Metodologias de Avaliação Ambiental de Edificações
Resumo das Metodologias de Avaliação Ambiental de Edificações .


Com a análise de tais métodos, é possível constatar que as especificidades regionais importantes nem sempre são levadas em consideração. Desse modo, os critérios utilizados na classificação dos edifícios não são os mais adequados para avaliar o impacto ambiental de edificações residenciais brasileiras e particularmente, recifenses.
A análise dos métodos de avaliação de desempenho ambiental das edificações demonstrou que elas são naturalmente diferentes em virtude dos diferentes contextos em que surgiram, caracterizados por diferentes agendas ambientais, técnicas construtivas e características bioclimáticas. Ficou claro, portanto, que a simples importação e aplicabilidade de tais métodos à realidade brasileira não é a melhor opção.

O Brasil ainda não possui um método próprio, em contraposição à quase totalidade dos países europeus, além dos Estados Unidos, do Canadá, da China, do Japão e da Austrália. As circunstâncias contextuais que levaram à criação dos diversos métodos variam, assim como as aplicações pretendidas para estes sistemas, que vão desde ferramentas de apoio ao projeto até ferramentas e avaliação pós-ocupação. É imprescindível, portanto, preencher essa lacuna, sob o risco da questão da construção sustentável no Brasil não alcançar o binômio essencial: desenvolvimento-sustentabilidade.

Diante de tantas especificidades, o desenvolvimento de um método brasileiro tornou-se essencial. Algumas iniciativas foram, e estão sendo, desenvolvidas em todo o território nacional, porém ainda não é possível encontrar uma prática consensual nacional, uma vez que, além de cada método focar as especificidades dos locais em que estão sendo desenvolvidos, não há uma sensibilização aprofundada de todos os setores envolvidos na concepção e construção de edificações.    

As tentativas pontuais que existiram (e existem) para desenvolver um método brasileiro em geral desconsideram que o Brasil é um país de dimensões continentais, que apresenta grande diversidade bioclimática, e que, mesmo em nível regional, não há uma homogeneidade de características bioclimáticas e sociais. Sendo assim, tais métodos são voltados para o contexto em que foram desenvolvidos, e não são os mais adequados para o contexto recifense.    

Portanto, apesar de não ser necessário começar o desenvolvimento de um método brasileiro, totalmente do zero, faz-se necessária a revisão criteriosa dos itens e benchmarks a serem considerados nas avaliações, para que os resultados obtidos em avaliações ambientais das residências recifenses sejam aderentes ao contexto local.

HUMANAE. Revista Eletrônica da Faculdade de Ciências Humanas ESUDA (ISSN 1517-7606). http://www.esuda.com.br/revista_humanae.php. VIEIRA, Luciana Alves; BARROS FILHO, Mauro Normando Macêdo. A emergência do conceito de Arquitetura Sustentável e os métodos



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