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Aliança dos Grandes Rios

A filosofia desta organização é a de comprar as terras para evitar a sua destruição e assim desenvolveram uma linha de ação diferente de todas as outras ONGs ambientalistas.

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A organização ambientalista The Nature Conservancy (TNC), fundada em Washington em 1951, anunciou simultaneamente no Brasil, na China e nos Estados Unidos o lançamento de uma iniciativa para recuperar e conservar três grandes bacias hidrográficas: a do Rio Alto Mississipi, nos Estados Unidos; a dos Rios Alto Paraná e Paraguai, no Brasil; e a do Rio Alto Yang Tsé, na China. Denominado “Aliança dos Grandes Rios” a iniciativa é um ambicioso programa para orientar as estratégias de conservação desses grandes rios e transformar a maneira como se protege os suprimentos de água em bacias hidrográficas importantes. No seu conjunto, as três bacias fornecem água doce para aproximadamente 600 milhões de pessoas nos três Continentes.

A The Nature Conservancy nasceu como uma resposta à ocupação indiscriminada de diversos territórios que os ecologistas norte-americanos, tanto dos EUA como do Canadá, consideravam “santuários” a serem preservados.

A filosofia desta organização é a de comprar as terras para evitar a sua destruição e assim desenvolveram uma linha de ação diferente de todas as outras ONGs ambientalistas. Ao longo destes 53 anos a instituição ampliou as suas ações fora dos EUA até atingir na atualidade 29 países. Nesse período a TNC adquiriu e mantém sob seu controle 37 milhões de hectares em todo o mundo. Presente no Brasil desde 1980, tornou-se uma organização não-governamental nacional em 1994 e já ajudou a conservar mais de 1.2 milhões de hectares em diversos ecossistemas, principalmente no Pantanal, no Cerrado, na Mata Atlântica e um pouco no Amazonas.

Para viabilizar a “Aliança dos Grandes Rios” a TNC contou com a participação da Caterpillar, empresa que doou US$ 12 milhões a serem aplicados durante os próximos cinco anos. Desse montante, cerca de 2.5 milhões serão investidos no Brasil no complexo hídrico Alto Paraguai-Paraná, também em cinco anos.

Para viabilizar esta iniciativa, o projeto criou um “Centro de Estudos e Conservação dos Grandes Rios” que será uma ferramenta on-line coordenada pelo The Nature Conservancy para identificar as principais ameaças dessas grandes bacias hidrográficas. O objetivo é o de divulgar as experiências bem sucedidas de manejo sustentável para outras ONGs, governos, empresas e para as lideranças comunitárias locais.

Um dos projetos mais promissores para o Centro de Referência foi iniciado no ano de 2000 mediante uma parceria entre equipes da TNC no Pantanal e no Mississipi. As planícies encontradas nas duas regiões têm características semelhantes; ambas permanecem inundadas boa parte do ano. “As alterações que já ocorreram na Bacia do Mississipi são assustadoras e queremos evitar que o Pantanal tenha o mesmo destino. Por outro lado, nossos projetos de monitoramento e de recuperação das cabeceiras e margens do Rio Cuiabá, um dos principais rios que drenam o Pantanal, podem ajudar os nossos parceiros nos Estados Unidos a recuperar parte do que foi perdido”, declarou João Campari, Diretor para o Pantanal da TNC.

Por sua vez, Natal Garcia, Presidente da Caterpillar Brasil, acrescentou: “A questão do suprimento de água é um problema mundial crítico e será um dos mais importantes temas deste século; juntas, a TNC e a Caterpillar estão criando novos modelos que influenciarão a conservação desse recurso em todo o mundo”.

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Segundo os princípios filosóficos da TNC, os desafios de conservação são enfrentados mediante a formação de alianças. A ONG trabalha sempre em conjunto com as comunidades locais, os governos, empresas e outras ONGs, como é o caso brasileiro com a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação (SPVS), do Paraná, e a Funatura, de Brasília. As suas estratégias são construídas sobre uma sólida base científica, que ajuda a definir as ações e a medir os resultados. A TNC busca primeiro a conciliação entre as partes envolvidas nas questões ambientais.

O consenso entre os diversos setores tem contribuído para resultados de conservação mais duradouros. No Brasil, ambientalistas como Fabio Feldman e Eloi Zanetti fazem parte do Conselho Consultivo, assim como o publicitário Washington Olivetto e os empresários José Carlos da Silveira Pinheiro Neto, Vice-Presidente da General Motors do Brasil e o próprio Natal Garcia, Presidente da Caterpillar Brasil.

“Este ambicioso projeto objetiva proteger as fontes de água doce do Planeta, que estão desaparecendo, e busca mudar a forma como a conservação é feita em grandes sistemas de rios aproveitáveis. Tenho muito orgulho pelo fato da Caterpillar estar liderando este projeto visionário”, afirma Jim Owens, presidente mundial da Caterpillar. “O Centro de Estudos e Conservação Grandes Rios é um esforço inspirador que muitas de nossas associações ambientais adotarão para viabilizar a conservação de água no mundo”, acrescenta Garcia.

“Com o aumento da população mundial, as pessoas vão precisar cada vez mais de suprimentos de água para sobreviver; as futuras gerações reconhecerão as iniciativas de conservação da água como uma das mais importantes coisas que fizemos pela humanidade”, afirmou Steve McCormick, Presidente Mundial da TNC. Os sistemas de água doce escolhidos pela “Aliança dos Grandes Rios” serão considerados incubadoras para o desenvolvimento de modelos de conservação da The Nature Conservancy.

Estes modelos demonstrarão a sua eficácia nesses sistemas fluviais à medida que forem implementados e testados. O aprendizado desses projetos será um valioso recurso para outros esforços de restauração da água no futuro.

“Cada um de nós tem o dever de proteger esses rios que sustentam tantas pessoas. Líderes empresariais devem trabalhar juntos para que os negócios e os ecossistemas naturais possam conviver lado-a-lado”, disse Jim Owens, da Caterpillar.

 

Por René Capriles - Editor da ECO·21 Fonte: Revista Eco 21, ano XV, Nº 98, janeiro/2005.



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