Ambiente Agropecuário

Utilização da queima controlada em Caronal

om base em resultados de pesquisas constata-se que um período de seca seguido de cheia curta, alternados, propiciam modificações de maior intensidade na freqüência das espécies na comunidade do campo de capim caronal, do que a utilização da queima.

Envie para um amigo

 

 

A comunidade denominada caronal caracteriza-se pela dominância da espécie Elyonurus muticus. Está localizada na unidade de paisagem, savana gramíneo-lenhosa, definida como área de campo, situada em mesorelevo mais elevado, ou seja, pouco ou não alagável. Essa comunidade está presente na sub-região da Nhecolândia, em torno de 20% e também nas sub-regiões de Paiaguás, Cáceres, Abobral e Aquidauana. A espécie Elyonurus muticus é perene, cespitosa e apresenta parte aérea aromática com presença de óleos essenciais. A presença de óleos essenciais faz com que a planta seja consumida, pelos bovinos, no máximo até 15 dias após a queima.

Por ser a queima um instrumento de manejo em áreas tropicais e por ser uma ferramenta bastante utilizada na região, a Embrapa Pantanal, há muito tempo vêm estudando a utilização da queima controlada, principalmente em área de caronal. A grande quantidade de macega acumulada nessa fitofisionomia pode contribuir para o maior número de incêndios no Pantanal, assim o uso da queima controlada, mesmo sendo uma prática de manejo polêmica e com alguns impactos negativos, pode constituir uma prevenção aos incêndios na região.

Com mais ênfase a partir de 1995, os estudos da Embrapa Pantanal tiveram como objetivo avaliar o efeito da freqüência da queima (anual e bienal) na produção e composição química da matéria seca produzida, e assim gerar informações sobre o uso do fogo de maneira racional. A queima controlada deve ser sempre realizada uns dois dias após uma boa chuva, para garantir um eficiente umedecimento do solo.

Os resultados indicam que a queima no campo de capim caronal não promove efeitos drásticos sobre a produtividade primária liquida aérea (variável para cada espécie), sobre a freqüência absoluta das espécies, a composição florística e o número de espécies. O teor de proteína bruta das gramíneas aumenta com a rebrota das plantas pós-queima, devido a eliminação da parte aérea velha e promoção da rebrota (com maior volume protéico) das gramíneas E. muticus, Axonopus purpusii, Mesosetum chaseae, Andropogon selloanus. A cobertura do solo em áreas queimadas reduz-se expressivamente e tem levado cerca de quatro a seis meses para igualar-se à área sem queima. A queima determinou alteração do teor de umidade do solo imediatamente após a queima, pois há evaporação da umidade do solo devido à elevação da temperatura do solo promovida pelo fogo. A pós-queima altera os teores de alguns minerais do solo nas áreas de caronal; teor de sódio diminui e os de cálcio, potássio e PH aumentam, temporariamente.

Com base em resultados de pesquisas constata-se que um período de seca seguido de cheia curta, alternados, propiciam modificações de maior intensidade na freqüência das espécies na comunidade do campo de capim caronal, do que a utilização da queima. E como garantia para manutenção da biodiversidade presente na área de caronal, recomenda-se que a mesma área seja queimada somente a cada dois ou três anos.

 

Sandra Mara Araújo Crispim ( scrispim@cpap.embrapa.br ) e Evaldo Luís Cardoso ( evaldo@cpap.embrapa.br ) são pesquisadores da Embrapa Pantanal.



Publicidade
Confira as principais Tags do ambiente Agropecuário Açai Acerola Agricultura Agroecologia Agroflorestais Agropecuária Agropecuárias Agrotóxicos Água Alimentação Alimentos Orgânicos Ambientais Ambiental Animais Animal Orgânico Área de Preservação Assentamento Atividades econômicas Autossuficiência Avaliação Benefícios Bibliografia Biodinâmica Biodiversidade Biologia do Solo Biológicas Biorremediação Braquiárias Brasil Café Camu-Camu CAR Características Caramujo Censo Agropecuário Cerca Ecológicas Certificação de Produtos Ciclo do Carbono Clima Cobertura do solo Como Fazer Comprimento da rampa Conceito Conservação Conservação Ambiental Consumo Contaminação Contaminação ambiental Controle Controle Ambiental Controle de praga Convencional Corte Crescimento Econômico Critérios Cultura Cupim Dano e efeitos ambientais DDT Declive Definição Dejetos Desertificação Dessalinização Desvantagens Dificuldades Dioxina Doenças Ecologia Educação Energia Alternativa Erosão Estratégico Estrutura Estrutura Fundiária EXemplos Exploração Extensão Extinção Fatores Feijão Fertilização Fertilizantes Físicas Fitoterápico Florestal Florestas Fontes Energéticas Frutas Nativas Gado de corte Grãos Hidropônico História Impactos Ambientais Indicadores Inseticidas Legislação Lodo Mandioca Manejo Manejo Sustentável Mata Atlântica Matéria Orgânica Medicina Meio Ambiente Migratória Monitoramento Mosca-dos-chifres Natural Nitrogênio Nutrientes Objetivos Ondas do mar Operacional Orgânico Pantanal Particulados Pastagem Pecuária Perda de solo Perigos Permacultura Pesquisa Científica Pimenta Planejamento Planta medicinal Planta Tóxicas Plantas Política Polpa congelada Práticas Conservacionistas Princípios Problemas ecológicos Procedimento Procedimentos Proibidos Produção Produtividade Produtos Programas Projetos Propriedade do solo Proteção Qualidade Nutricional Queimada Químicas Reciclagem Recuperação Ambiental Recursos Naturais Reflorestamento Regiões Requisitos Reserva Legal Rios Riscos à saúde Roraima Rural Saúde Selos Sistema Educativo Situação Soja Solos Suinocultura Tático Técnicas Tecnologia Tipos de Agricultura Topografia Tradicional Transporte Tratamento Tratamento de Efluentes Urbano Uso de terras Uso do Solo Usos Vantagens Velocidade Veneno Vento

Resolução míninina de 1024 x 768 © Copyright 2000-2017 Todos os direitos reservados. O conteudo deste Site é de propriedade do Ambiente Brasil S/S Ltda. Nenhuma parte poderá ser reproduzida sem permissão por escrito do Portal.