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 Ambiente Agropecuário

A Pecuária e as Pastagens do Pantanal

As pastagens naturais e também as cultivadas são igualmente importantes no sistema atual de produção. O Pantanal, a maior planície alagável do planeta, recentemente, declarado pela Unesco, como “Reserva da Biosfera”, apresenta-se como uma imensa pastagem nativa com várias fitofisionomias (mata chaquenha, cerradão, cerrado, campo sujo, campo limpo e baías com plantas aquáticas).

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A aplicação de tecnologia na pecuária de corte do Pantanal, a principal atividade econômica da região, tem como propósito o aumento do número de bezerros desmamados, pois seu sistema extensivo de produção envolve principalmente a fase de cria. Para tanto, são necessários animais de boa linhagem genética com matrizes produtivas, rústicas e com boa habilidade materna, além de quantidade adequada de alimentos de qualidade, onde o manejo de pastagens é fundamental.

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As principais tecnologias geradas e aplicadas pela Embrapa Pantanal através de experimentos e acompanhamento de algumas fazendas, proporcionaram aumentos palpáveis na produção. Estas referem-se ao manejo, introdução e seleção de animais anelorados tais como: substituição de touros de qualidade genética questionável por touros selecionados; descarte de matrizes improdutivas; exame andrológico nos touros; estação de monta (relação touro/vaca de 1/25); controle sanitário com vacinação e vermifugação estratégicas; cultivo de pasto para uso estratégico; adoção de piquetes para vacas prenhas e para touros em descanso; sal mineral formulado específico para cada sub-região; bezerros tratados ao nascer (cura do umbigo mais ivermectina) e desmamados precocemente (seis meses). Essas técnicas relativamente fáceis e de baixo custo são muito pouco adotadas pelos produtores pantaneiros por questões culturais ou falta de infra-estrutura como transporte adequado e instalações.

As pastagens naturais e também as cultivadas são igualmente importantes no sistema atual de produção. O Pantanal, a maior planície alagável do planeta, recentemente, declarado pela Unesco, como “Reserva da Biosfera”, apresenta-se como uma imensa pastagem nativa com várias fitofisionomias (mata chaquenha, cerradão, cerrado, campo sujo, campo limpo e baías com plantas aquáticas). Perto de 4,5% da área do Pantanal (6.000 km2) são pastagens cultivadas de Brachiaria decumbens, B. brizantha e B. humidicola, principalmente, em áreas desmatadas de cordilheiras e de campo. Muitas dessas pastagens foram formadas há mais de 20 anos mantendo-se até hoje sem degradação.

As pastagens nativas na maioria das áreas são de baixa produtividade e baixa qualidade nutricional sendo necessários 3,6 ha/animal, podendo chegar na parte leste, a 5,0 ha/animal. São necessárias grandes propriedades para tornar a atividade economicamente viável e dependendo da região, alguns produtores precisam ter duas ou mais propriedades para socorrer o gado nos dois períodos críticos do ano: seca e cheia. As forrageiras de alta qualidade são principalmente hidrófilas e mais comuns no Pantanal baixo e as com grande quantidade são de baixa qualidade. O que fazer então? Quais tecnologias desenvolver e implantar sem degradar ou impactar os ecossistemas e com baixo custo?

Pesquisar manejo de pastagens nativas no Pantanal é um grande desafio. A experiência mostra que as pastagens precisam ser tratadas, conforme a natureza as tratam, ou seja, sem abusos por parte do homem e de forma racionalizada.

E o fogo tão combatido e temido é prejudicial ou um é aliado no manejo do pasto no Pantanal? Pesquisas em andamento com queimadas no caronal (grandes extensões de campo com dominância do capim-carona que ocupa perto de 5.000 km2 do Pantanal da Nhecolândia e outros tantos do Paiaguás, Cáceres, Abobral e Aquidauana, cujo consumo pelo bovino dá-se somente pela sua rebrota até 14 dias após a queima) demonstraram em dois anos, que o fogo não alterou a diversidade das espécies vegetais, mas somente a cheia e a seca. Áreas destinadas a reserva ecológica e vedadas com retirada dos bovinos e eqüinos há anos, caminham para um processo de arborização e fechamento dos campos com grande acúmulo de material morto e macega, ocasionando em alguns casos, incêndios de difícil controle. Caberia aqui mais pesquisas com a utilização e permissão do uso de queimadas controladas e entrada do gado (taxa de lotação adequada), já que estes convivem no Pantanal há anos.

Diante de tais impasses surge a produção biológica (boi orgânico ou a carne verde) que parece ser um negócio perfeito para os pecuaristas de cria que estão dispostos a investir em suas propriedades em uma atividade que certamente terá, de médio a longo prazo, seu mercado crescente e organizado, principalmente visando o mercado externo. Já existem alguns projetos em implantação e o proprietário vê as vantagens de tais tecnologias, principalmente pelo Pantanal ser um local naturalmente limpo onde não há uso de agrotóxicos nos campos e nem uso de fertilizantes sobre as pastagens ou aplicação de carrapaticidas ou inseticidas sobre os bovinos. Tamanha conservação deve-se ao seu difícil acesso e aos próprios pantaneiros que deixam-se levar pelo ritmo dinâmico do Pantanal, sem tentar dominar o ambiente, moldando o seu empreendimento às características ecológicas da região.

 

Cristina Aparecida Gonçalves Rodrigues e José Aníbal Comastri Filho, são pesquisadores da Embrapa Pantanal. E-mails: crisagr@cpap.embrapa.br comastri@cpap.embrapa.br



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